REPORTAGEM ESPECIAL

Série "Europa: Memória e Sentido" fala do beato Carlos I da Áustria

Conheça a história do Imperador e Imperatriz da Áustria que usaram de seus cargos para fazer o bem e amar a Deus

Na série “Europa: Memória e Sentido”, a história do último imperador de Áustria, exilado na Ilha da Madeira, em Portugal, o beato Carlos I.

Imagens de Gracielle Reis, Internet e Arquivo
Edição de Leonardo Vieira
Reportagem de Gracielle Reis

 

No subsolo da Igreja dos Capuchinhos em Viena, repousam séculos de história da dinastia Habsburgo. Imperadores, imperatrizes e arquiduques que moldaram o destino da Europa encontram-se aqui sepultados.

Entre eles, a imperatriz Zita de Bourbon-Parma, esposa do último imperador austro-húngaro, Carlos I. Uma história que acompanha o fim de um império e o nascimento de um testemunho de santidade.

Carlos nasceu em 1887, e não estava destinado a governar. Tornou-se imperador em 1916, em plena Primeira Guerra Mundial, após a morte de Francisco José.
Entre o Hofburg e o Palácio de Schönbrunn, herdou um império marcado pela guerra, pela fome e pela instabilidade política. Profundamente católico, entendia o poder como uma missão recebida de Deus.

Ao contrário de muitos líderes da época, procurou repetidamente negociar a paz, mas sem sucesso. Com a dissolução do império austro-húngaro em 1918, recusou a abdicar formalmente da missão que acreditava ter recebido de Deus, embora deixasse de exercer qualquer poder político. Começava o caminho do exílio.

Daqui do coração de Viena, parte uma história que chega até Portugal. Na cripta imperial repousam membros da família Habsburgo. Entre eles a Imperatriz Zita, esposa do Beato Carlos de Áustria. Já Carlos está sepultado no Funchal, na ilha da Madeira. Separados geograficamente, mas unidos pela história e pela fé, Carlos e Zita continuam a testemunhar uma trajetória marcada pelo exílio, sofrimento e busca da paz em meio a uma das épocas mais turbulentas da Europa.

Depois de um período na Suíça e de duas tentativas falhadas de recuperar o trono da Hungria, as potências vencedoras da guerra decidiram afastá-lo definitivamente da Europa Central. Em novembro de 1921, Carlos, Zita e os filhos chegaram à Madeira. Instalaram-se primeiro no Funchal e depois numa casa simples no monte. Foi ali que o antigo imperador viveu os últimos meses da sua vida, entre a pobreza, a doença e uma intensa vida de oração. Morreu a 1º de abril de 1922, com apenas 34 anos e foi sepultado no santuário de Nossa Senhora do Monte.

Anos mais tarde, a Imperatriz Zita regressou à Áustria, onde hoje repousa na cripta imperial. Os corações de ambos, porém, permanecem juntos na Abadia de Muri, na Suíça, segundo a tradição da casa de Habsburgo.

Em 2004, São João Paulo II beatificou Carlos da Áustria, reconhecendo nele um governante que procurou viver o Evangelho no exercício da política. Também existe a intenção de abrir a causa de beatificação da imperatriz Zita.

Entre Viena e a Madeira, a história desta família recorda que a verdadeira grandeza não nasce do poder, mas do serviço, e que a realeza encontra o seu sentido na santidade.

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