Padre ressalta bens e males da IA na formação de jovens seminaristas
A inteligência artificial pode até avançar, mas, para o Papa Leão XIV, a homilia precisa ser fruto da fé e da experiência pastoral. Recentemente, o Pontífice orientou os sacerdotes a priorizarem a escuta, o estudo e a proximidade com o povo.
Reportagem de Emerson Tersigni e Ederaldo Paulini
As conversas nas praças do Brasil são cenas raras, mas ainda existentes. A tecnologia já faz parte da vida de grande parte das pessoas. A inteligência artificial, igualmente, o tempo segue avançando, inclusive para a Igreja. E como temos empregado o Cronos na caminhada?
“Eu entrei no seminário em 2008 no Propedêutico. Naquele tempo não tinha o WhatsApp, não tinha inteligência artificial, mas era um outro mundo que a gente habitava. Os alunos atuais, sobretudo aqui na faculdade dehoniana, que vão ser os padres do futuro, eles já nascem vocacionalmente nesse mundo da inteligência artificial”, recordou da Diocese de Taubaté(SP), padre Marcelo Henrique de Souza.
Padre Marcelo é da Diocese de Taubaté, no interior paulista e também professor dos cursos de Filosofia e Teologia. Em tempos tecnológicos, falar com coração é a meta no preparo dos que aderiram à vocação sacerdotal. “Há muitas vantagens no meio acadêmico. A pesquisa ficou mais fácil, a gente encontra muito material. No entanto, o grande desafio acadêmico da formação de sacerdotes é formar a reflexão, porque a IA dá resultado, ela produz um conteúdo. Mas a pergunta é: sem o celular na mão, ele vai ter o que dizer pro povo dele?”, contou ele.
São inúmeros os desafios da evangelização e segundo o Papa Leão XIV é preciso proximidade para exercer a missão. Portanto, os padres devem conhecer a realidade verdadeira dos fiéis a partir da preparação de uma boa homilia. E isso é possível pela experiência com a graça de Deus.
“A conexão que a gente faz, o relacionamento que a gente cria, seja dentro do contexto religioso, do contexto psicoterápico, do contexto de relacionamento, de qualquer forma, isso não é e não deve ser substituído. As inteligências artificiais não são boas para isso. E mesmo que um dia elas possam ser, essa não é uma função que a gente deveria deixar o nosso cérebro perder, essa capacidade de criar vínculo com outro”, ressaltou da liga acadêmica de neurociências da Unitau, professor Marcelo Fonseca.
Leão XIV ensina como todos os músculos do corpo, se não usamos ou os movemos, eles morrem. Assim também é a capacidade da inteligência. Ao exercitá-la, compartilha-se a fé. “Quando um padre faz a homilia, ele faz uma léxico comunitário. Ele se pergunta assim: ‘O que Deus quer dizer pra minha comunidade?’ Então, eu não posso dar essa resposta para IA. Seria uma espécie de idolatria. ‘IA o que Deus quer dizer para minha comunidade?’ É um outro Deus. Então é o sacerdote conhecendo o povo, que visita o povo, que atende a confissão do povo, que sente aquela realidade e conhece a doutrina da fé, a Sagrada Escritura, é ele que é capaz de fazer essa síntese entre o que cremos e o que vivemos”, completou o padre.




