Governo venezuelano pede prova de vida de Maduro e Cilia Flores; EUA marcam coletiva para apresentar detalhes da ofensiva
Da Redação, com agências

Fumaça do ataque próximo ao Forte Tiuna, em Caracas, na Venezuela /Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria
Uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos na madrugada deste sábado, 3, elevou drasticamente a tensão entre Washington e Caracas. Explosões foram registradas em diferentes pontos da capital venezuelana e em outros estados do país, enquanto o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o líder venezuelano Nicolás Maduro teria sido capturado e retirado do território nacional.
De acordo com relatos de moradores e informações divulgadas por agências internacionais, ao menos sete explosões ocorreram em um intervalo inferior a meia hora, por volta das 2h da manhã, horário local. Testemunhas relataram a presença de aeronaves militares voando em baixa altitude, tremores em bairros residenciais e correria nas ruas. Parte de Caracas ficou sem energia elétrica, especialmente nas proximidades da base aérea de La Carlota.
O governo venezuelano acusa os Estados Unidos de terem atingido áreas civis e instalações estratégicas, incluindo bases militares, o porto da capital e residências de autoridades. Entre os locais supostamente atacados estão o Forte Tiuna, considerado um dos principais complexos militares do país, e a base aérea de La Carlota. Imagens que circulam nas redes sociais mostram incêndios de grandes proporções e colunas de fumaça sobre áreas urbanas.
Pronunciamentos
Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, classificou a ação como uma agressão externa e afirmou que o país não aceitará a presença de forças estrangeiras em seu território. Segundo ele, as autoridades ainda estão reunindo informações sobre possíveis mortos e feridos decorrentes dos ataques.
Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos declarou, por meio de uma rede social, que a operação foi bem-sucedida e que Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, teriam sido detidos e removidos da Venezuela por via aérea. Trump não informou o destino do casal, mas afirmou que mais detalhes seriam apresentados em uma coletiva de imprensa marcada para às 13h.
As declarações, no entanto, foram contestadas por Caracas. A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, afirmou que o governo não tem informações sobre o paradeiro de Maduro e exigiu que os Estados Unidos apresentem provas de que ele e a esposa estejam vivos. Até o momento, não houve confirmação independente sobre a captura do presidente venezuelano.
Em comunicado oficial, o governo da Venezuela declarou que o país está sob ataque e anunciou a ativação de planos de mobilização nacional. A administração venezuelana classificou a ofensiva como um “ato de agressão extremamente grave” e afirmou que o objetivo dos EUA seria o controle de recursos estratégicos, como petróleo e minerais. Caracas também invocou o direito à legítima defesa previsto na Carta das Nações Unidas e pediu solidariedade de países da América Latina, do Caribe e de outras regiões.
Escalada
A tensão entre os dois países foi intensificada em agosto passado, quando o presidente dos EUA anunciou uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que pudessem gerar a prisão de Nicolás Maduro. Nas últimas semanas, a pressão vinha se intensificando. O governo norte-americano justificou o aumento da presença militar no Caribe como parte do combate ao narcotráfico, ao mesmo tempo em que ampliou sanções e pressões diplomáticas contra Caracas. Em declarações recentes, Trump afirmou que o governo Maduro estava com “os dias contados”.
Até a última atualização, não há informações oficiais consolidadas sobre vítimas nem confirmação internacional sobre a situação do presidente venezuelano, enquanto a comunidade internacional acompanha com preocupação a rápida escalada do conflito.
Paz
Diante da escalada de confrontos e da incerteza que marca o cenário internacional, o apelo do Papa Leão XIV, feito no dia 1º de janeiro – Dia Mundial da Paz, ganha novo significado. Na ocasião, o Pontífice convidou a comunidade internacional a rezar pela paz entre os povos atingidos por guerras e sofrimento, lembrando que a paz é um dom de Deus confiado à responsabilidade humana. Ao abrir o ano, o Papa exortou as nações a desarmarem os corações, rejeitarem a violência e assumirem o compromisso de construir caminhos de reconciliação — um chamado que ecoa diante da crise envolvendo Estados Unidos e Venezuela.




