Dados alarmantes

2025 é o ano mais letal para civis na Ucrânia desde o início da guerra

Relatório da ONU aponta aumento de 31% nas vítimas civis, impulsionado por ataques russos com armas de longo alcance e drones próximos à linha de frente

Da Redação, com Vatican News

Prédios residenciais destruídos após ataque em um distrito de Kiev, com fachadas queimadas, escombros espalhados pelo chão e estruturas parcialmente colapsadas.

Ataque da Rússia a um distrito de Kiev, na Ucrânia /Foto: Oleksandr Klymenko/Ukrinform/NurPhoto

Diariamente, na Ucrânia, prédios residenciais, escolas, hospitais, a infraestrutura energética e os sistemas de abastecimento de água são atingidos por ataques. Segundo dados das Nações Unidas, 93% das ofensivas russas têm como alvo áreas civis.

O ano de 2025 foi o mais letal para a população civil ucraniana desde o início da guerra, em 2022. O aumento no número de vítimas está ligado à intensificação dos combates ao longo da linha de frente e ao uso ampliado de armas de longo alcance, informou na segunda-feira a UN Human Rights Monitoring Mission in Ukraine (Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia).

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De acordo com a atualização mensal do observatório, a violência relacionada ao conflito matou 2.514 civis e deixou outros 12.142 feridos em 2025 — um crescimento de 31% em relação a 2024. A grande maioria das vítimas foram atingidas em áreas sob controle do governo ucraniano, em ataques atribuídos às forças armadas russas. Autoridades da Ucrânia costumam considerar os números da ONU como os mais precisos disponíveis.

Os esforços intensificados da Rússia para conquistar território ao longo de 2025 resultaram em mortes e ferimentos de civis, destruição de infraestrutura vital, interrupção de serviços essenciais e novas ondas de deslocamento forçado, especialmente nas regiões próximas à linha de frente. Quase dois terços de todas as vítimas civis do ano passado foram registrados nessas áreas.

Dados alarmantes

Os idosos foram particularmente afetados. Pessoas com 60 anos ou mais representaram mais de 45% dos civis mortos nas zonas de combate — 742 vítimas — embora correspondam a cerca de 25% da população ucraniana.

Outro dado alarmante é o crescimento das vítimas causadas por drones de curto alcance. Em 2025, as baixas civis associadas a esse tipo de armamento aumentaram 120%, totalizando 577 mortos e 3.288 feridos, contra 226 mortos e 1.528 feridos em 2024. Em 25 de dezembro, por exemplo, um drone atingiu um carro que transportava voluntários em missão de evacuação em Kostiantynivka, na região de Donetsk, matando um trabalhador humanitário e ferindo outros dois. Em 6 de dezembro, outro ataque matou uma mulher e feriu seus dois filhos adultos na cidade ocupada de Horlivka, também em Donetsk.

Embora não haja números oficiais consolidados, estima-se que centenas de milhares de soldados de ambos os lados tenham sido mortos ou feridos na guerra mais sangrenta da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Milhares de civis ucranianos também perderam a vida, sobretudo em 2022, durante o cerco russo à cidade portuária de Mariupol e em ataques a centros urbanos antes da estabilização da linha de frente.

Guerra continua

Desde então, Moscou continua a lançar mísseis e drones contra cidades em todo o território ucraniano. A Rússia nega ter como alvo deliberado civis, mas afirma que os ataques à infraestrutura civil são justificados por seu impacto no esforço de guerra da Ucrânia. Kiev, por sua vez, também realizou ataques contra infraestrutura civil na Rússia e em territórios ocupados, embora em escala significativamente menor.

Segundo a ONU, o aumento do uso de armas de longo alcance pelas forças russas a partir de junho de 2025 contribuiu para o crescimento dos danos em centros urbanos distantes da linha de frente. “O aumento acentuado nos ataques de longo alcance e o direcionamento à infraestrutura energética nacional da Ucrânia significam que as consequências da guerra agora são sentidas por civis muito além das zonas de combate”, destacou Bell.

O observatório informou ainda que autoridades russas relataram 253 civis mortos e 1.872 feridos em ataques atribuídos às forças armadas ucranianas na Federação Russa ao longo do último ano. No entanto, devido à falta de acesso e à escassez de informações públicas confiáveis, a ONU afirmou não ter conseguido verificar esses números.

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