PROMOÇÃO DA PAZ

Que calem as armas e os homens se reconciliem, pede Cardeal Parolin

O secretário de Estado presidiu a Missa na Basílica de São Paulo Fora dos Muros por ocasião dos cem anos do Ordinariado Militar e rezou pela paz mundial

Da redação, com Vatican News

Foto: Alessia Giuliani – Catholic Press Photo

“Neste momento que todos conhecem, pedimos ao Senhor que faça calar as armas e que os homens se reconciliem.” Foi a oração veemente do cardeal secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, durante a Missa que presidiu na manhã desta terça-feira, 3, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, no contexto das celebrações do centenário do Ordinariado Militar da Itália, criado em 1926 para oferecer assistência espiritual e religiosa aos militares italianos e às suas famílias. Carabineiros, militares do Exército Italiano, da Guarda de Finanças, da Aeronáutica Militar e da Marinha fizeram parte da assembleia.

A lógica do serviço e da Cruz

A análise detalhada feita por Jesus sobre o comportamento dos fariseus, proclamada na liturgia da Palavra a partir do Evangelho de Mateus, deve servir de inspiração para o ministério dos capelães que atuam em contextos militares. “A palavra severa do Evangelho não é uma acusação contra ‘outros’, mas se torna critério de comportamento para cada um de nós. Ela nos convida a uma coerência humilde, a uma autoridade que se expressa no serviço, a uma presença que não oprime nem se exibe, mas acompanha e orienta.”

“A Cruz”, destacou ainda o cardeal Parolin, deve ser “o paradigma de toda autoridade cristã”. “Dentro dessa lógica compreende-se também a missão do Ordinariado no contexto internacional atual, marcado por conflitos persistentes e tensões geopolíticas que tornam mais complexo o discernimento ético. A Igreja não deixa de promover uma cultura da paz, entendida não como ingenuidade desarmada, mas como construção paciente das condições de justiça, de diálogo e de defesa dos direitos.”

A coerência silenciosa da escuta

A primeira “ruptura” na atitude dos fariseus é a falta de “coerência”, observou o cardeal Parolin. A missão dos capelães militares consistirá, portanto, em manter “uma coerência silenciosa, a capacidade de escutar sem julgar, de sustentar sem invadir, de falar de Deus sem moralismo”. A segunda “ruptura” diz respeito à maneira de entender a norma: os fariseus, segundo Jesus no trecho do Evangelho citado pelo cardeal, “atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros das pessoas”.

“No contexto militar, já marcado por disciplina e grandes responsabilidades — explicou ainda o secretário de Estado — a presença da Igreja não pode acrescentar fardos aos fardos. O capelão é chamado a ser espaço de respiro, lugar de discernimento, companheiro que ilumina a consciência para que a obediência não se torne irresponsabilidade e a disciplina não se transforme em automatismo moral.”

Guardar a consciência, o espaço mais sagrado do homem

A “consciência”, como ensina o Concílio Vaticano II na constituição pastoral Gaudium et spes, recordada por Parolin, “é o núcleo mais secreto e o santuário do homem, onde ele está a sós com Deus”. Cabe à Igreja, portanto, “guardar e iluminar esse espaço inviolável da pessoa”. Daí deriva também a missão dos capelães que vivem junto aos militares e devem, por isso, “educar para a responsabilidade e para a liberdade interior”. Na “fadiga da ausência”, no “medo do perigo” e na “ferida do sacrifício” que caracterizam os deveres dos militares nos contextos difíceis em que são chamados a atuar, “a presença discreta e fiel do capelão”, destacou o cardeal Parolin, “torna-se sinal concreto da maternidade da Igreja”.

O respeito pela dignidade de toda pessoa

A terceira “ruptura” na vida pública dos fariseus consiste na “ostentação”: tudo o que fazem, adverte Jesus, é para “serem admirados pelas pessoas”. Esta, observa Parolin, pode ser também uma tentação para os capelães militares: “a busca de visibilidade, o cuidado excessivo com a imagem, a necessidade de aparecer”. O cardeal recorda então o ensinamento de Cristo, que deve valer também para o Ordinariado: “o maior entre vós seja aquele que vos serve”. Este é o critério que deve inspirar o Ordinariado, que “será fiel à sua vocação não tanto fortalecendo estruturas ou buscando visibilidade, mas gerando um discernimento maduro, capaz de unir força e responsabilidade, fidelidade ao Estado e respeito pela dignidade inviolável de toda pessoa”.

Nos cenários de guerra — acrescenta por fim o cardeal Parolin – é particularmente importante preservar e “cuidar” da “consciência militar”, pois ela é “o lugar decisivo onde se joga o respeito pela dignidade humana, mesmo no coração do conflito”.

A vitória sobre a violência

Ao final da homilia, a oração de paz do secretário de Estado do Vaticano torna-se também um desejo: “Que o Senhor, que na Páscoa venceu toda violência e reconciliou o mundo consigo, torne o vosso serviço um sinal crível de justiça e de paz.”

A essas palavras somou-se a oração do arcebispo Gian Franco Saba, Ordinário Militar para a Itália desde abril de 2025, que, ao saudar o cardeal Parolin, dedicou um pensamento aos soldados empenhados nos cenários internacionais: “Enquanto assistimos aos conflitos do mundo, a nossa voz torna-se oração pelos feridos, pelos militares empenhados nas missões no exterior, por suas famílias e pelos chefes das nações.”

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

↑ topo
Skip to content