EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS

Quaresma no Vaticano: liberdade cristã é amar com amor crucificado

Seguem os exercícios espirituais para o Papa e a Cúria; nesta manhã, Dom Erik Barden refletiu sobre o significado da liberdade sob a perspectiva cristã

Da Redação, com Vatican News

A foto ilustra uma imagem de Jesus pregado na cruz.

Foto: Canva

O Papa Leão XIV e os membros da Cúria Romana continuam participando dos Exercícios Espirituais da Quaresma no Vaticano nesta terça-feira, 24. A conferência do pregador, Dom Erik Barden, teve como título “Tornar-se livre”.

No início de sua fala, o religioso apontou que o conceito de “liberdade” tornou-se controverso no debate público. “A liberdade é um bem precioso; rebelamo-nos contra tudo o que ameace limitá-la ou restringi-la”, afirmou. “Consequentemente, o vocabulário da liberdade é um instrumento retórico altamente eficaz”, acrescentou Dom Barden.

Segundo o pregador, qualquer sugestão de que a liberdade de um determinado grupo esteja em risco suscita reações imediatas e indignadas na internet, podendo até causar mobilizações nas ruas. Neste contexto, Dom Barden chamou a atenção para a forma como diversas causas políticas exploram o “jargão da liberdade”, provocando tensões.

“O que um segmento da sociedade percebe como ‘libertador’ é considerado opressivo por outros. Surgem frentes opostas, com a bandeira da ‘liberdade’ hasteada em todos os lados. Conflitos acirrados emergem de agendas incompatíveis de suposta libertação”, declarou o religioso.

Armadilhas

Dom Barden sinalizou que essa situação representa um desafio para os cristãos, frisando a importância de esclarecer o que significa, no contexto da fé, “tornar-se livre”. Para São Bernardo de Claraval, citou, é evidente que a verdadeira liberdade não é natural para o homem decaído.

“O que nos parece natural é fazer o que bem entendemos, satisfazer nossos desejos e realizar nossos planos sem interferência, ostentar e vangloriar-nos de nossas ideias”, pontuou o pregador. São Bernardo de Claraval, porém, responde a essa ilusão de maneira sarcástica: “Sabe-tudo, quem você pensa que é?! Reconheça que você se tornou uma besta para quem os caçadores armaram suas armadilhas”.

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“O fato de sermos tão facilmente enganados e cairmos nas mesmas armadilhas de sempre, mesmo sabendo bem delas, é para ele prova suficiente de que não somos livres — isto é, de que somos incapazes de progredir firmemente rumo ao verdadeiro objetivo de nossa vida. Permanecemos sujeitos a todo tipo de obstáculos e distrações.”, enfatizou Dom Barden.

A liberdade cristã

O pregador explicou que São Bernardo de Claraval, ao fundamentar sua explicação da liberdade no “Sim!” incondicional do Filho à vontade do Pai, revolucionou a compreensão do que é ser livre. “A liberdade cristã não consiste em conquistar o mundo pela força, mas em amá-lo com um amor crucificado, tão magnânimo que desejamos dar a vida por ele para que, em Cristo, ele seja libertado”, sublinhou.

Dom Barden alertou para as ocasiões em que a liberdade é manipulada como meio de legitimar as ações de entidades impessoais. “Em uma visão cristã, nenhuma política opressiva pode ser redimida invocando a ‘liberdade’ ideológica. A única liberdade significativa é a pessoal; e a liberdade de uma pessoa não pode anular a de outra”, afirmou.

Ao concluir sua pregação, o religioso ressaltou que aderir a uma ideia cristã de liberdade implica sofrimento. “Quando Cristo nos diz para não nos opormos ao mal, ele não está nos pedindo para tolerarmos a injustiça, mas nos faz entender que, às vezes, a causa da justiça é melhor servida pelo sofrimento, quando nos recusamos a responder à força com a força”, finalizou, salientando ainda que “nosso emblema de liberdade continua sendo o Filho de Deus que ‘se esvaziou’”.

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