Programação da trezena inclui visitas missionárias, eventos pastorais e celebrações que culminam na solenidade de 20 de janeiro
Julia Beck
Da Redação

Imagem de São Sebastião e o arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, Cardeal Orani Tempesta /Foto: Facebook arquidiocese
Os católicos do Rio de Janeiro iniciam nesta quarta-feira, 7, um “grande tempo de encontro com Deus” com a abertura da trezena da Festa de São Sebastião. O período celebrativo é marcado por oração, missão e proximidade com o povo, tendo como centro a devoção ao padroeiro da cidade.

Padre Alan Galvão de Paula/ Foto: Arquivo pessoal
Segundo o assessor de Imprensa da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, padre Alan Galvão de Paula, São Sebastião é reconhecido como padroeiro, protetor e intercessor do povo carioca, especialmente nos momentos de provação. Para ele, “a trezena não é apenas uma preparação para uma data festiva, mas um verdadeiro caminho espiritual e missionário”.
A programação deste ano, explica o sacerdote, expressa o desejo e a missão da Igreja de ser uma “Igreja em saída”, próxima e que caminha junto ao povo. Logo no início da trezena, são realizadas visitas missionárias a hospitais e instituições do Centro do Rio, como o Hospital dos Servidores, o Hospital Souza Aguiar e o Clube Naval, além de comunidades da Tijuca. Essas visitas marcam o início do percurso da imagem do padroeiro pela cidade e são dedicadas, de modo especial, ao encontro com os doentes, profissionais da saúde e trabalhadores.
Padre Alan destaca que as visitas missionárias constituem o coração pastoral da trezena, pois traduzem em gestos concretos aquilo que é celebrado na liturgia. Ao longo dos anos, ele observa que a Festa de São Sebastião tem sido marcada por essa proximidade com os que sofrem, com os que cuidam, com os que constroem a cidade no dia a dia e com aqueles que, muitas vezes, não conseguem chegar até a Igreja.
No pastoreio de Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, o sacerdote frisa que essas presenças são um sinal claro de uma Igreja que escuta, acolhe e se compromete. “Nos hospitais, a Igreja leva consolo; nas comunidades, fortalece a fé; nas instituições públicas, reafirma o diálogo; nas obras sociais, renova o compromisso com a dignidade humana. São Sebastião, que deu a vida por amor a Cristo, nos inspira a uma fé que se traduz em cuidado, serviço e solidariedade”, enfatiza.
Ao comentar o sentido missionário da trezena, o presbítero responsável pela comunicação da Arquidiocese reforça que “ao sair dos espaços tradicionais e ir ao encontro das comunidades, instituições e realidades sociais, a Arquidiocese reafirma que a fé cristã se vive no cotidiano, nas alegrias e também nas dores do povo. É olhar para a história e vida de São Sebastião que nos ensinam que seguir Cristo é estar presente, com coragem e fidelidade, onde a vida mais precisa de esperança”.
Mais visitas missionárias
Ao longo da trezena, entre os dias 8 e 18 de janeiro, a imagem de São Sebastião visita dezenas de capelas e paróquias dedicadas ao padroeiro, passando por bairros das zonas Norte, Oeste, Sul, Centro e Ilha do Governador. A programação contempla comunidades como Madureira, Engenho Novo, Inhaúma, Manguinhos, Guaratiba, Santa Cruz, Campo Grande, Recreio dos Bandeirantes, Penha, Ramos, Costa Barros, Paquetá, entre outras localidades, sempre com momentos de oração, acolhida e celebrações eucarísticas.
Para padre Alan, as paróquias e capelas dedicadas a São Sebastião funcionam como pontos de luz espalhados pela cidade durante a trezena. Cada uma, a partir de sua realidade local, contribui para manter viva a devoção ao padroeiro e para envolver o povo no caminho de preparação para a grande festa. “Ao longo dos anos, essa rede de comunidades tem fortalecido o sentimento de pertença e comunhão arquidiocesana. Mesmo em contextos sociais distintos, todas se reconhecem sob a proteção do mesmo padroeiro e no mesmo compromisso com o Evangelho”, afirma.

Procissão da Trezena de São Sebastião do ano de 2025/ Foto: Facebook da arquidiocese
Eventos marcantes
A trezena também é marcada por eventos de forte significado pastoral e social, como visitas aos centros socioeducativos do Degase, a órgãos públicos, forças de segurança, meios de comunicação e obras sociais. Entre os destaques da programação, estão a Missa em sufrágio pelo quarto ano de falecimento de Dom Eusébio Oscar Scheid (em data da trezena), a Procissão Marítima e Santa Missa no Comando do 1º Distrito Naval, no dia 19 de janeiro, o Terço da Misericórdia, rezado no Monumento de São Sebastião, na Glória (em data da trezena), e a entrega do Prêmio Missionários de Esperança, também no dia 19.
As celebrações atingem seu ponto alto no dia 20 de janeiro, solenidade de São Sebastião. Pela manhã, acontece a Missa Solene na Basílica Santuário de São Sebastião, na Tijuca. À tarde, os fiéis participam da Procissão Arquidiocesana, que segue da Basílica até a Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, onde é celebrada a Missa Solene de encerramento, reunindo fiéis de toda a Arquidiocese em uma grande manifestação pública de fé e devoção ao padroeiro da cidade.
Ao comentar a Procissão Marítima e a Procissão Arquidiocesana, padre Alan as define como gestos profundamente ligados à história e à identidade do Rio de Janeiro. A procissão pelo mar, explica, recorda as origens da cidade, marcada pelas águas, pela chegada dos primeiros habitantes e pela proteção invocada a São Sebastião desde o início. “É um momento de fé que une tradição, memória e confiança na presença de Deus que acompanha o povo em todas as travessias da vida”.
Já a Procissão Arquidiocesana, pelas ruas da cidade, é apresentada como uma grande manifestação pública de fé e unidade. A iniciativa reúne diferentes paróquias, comunidades e realidades sociais em um único caminho, mostrando que a Igreja é diversa, mas caminha unida. “Esses gestos lembram que a fé não se vive apenas no interior dos templos, mas também no espaço público, como testemunho de esperança para toda a cidade”, completa.
Dia da Festa
O dia 20 de janeiro, solenidade de São Sebastião, é apontado como uma oportunidade de renovar a fé, a esperança e o compromisso com Deus e com a vida. Para padre Alan, “São Sebastião nos recorda que a fidelidade a Cristo exige coragem, perseverança e amor ao próximo, mesmo diante das dificuldades. Para todos fiéis, é um convite a renovar a fé e assumir, no dia a dia, o testemunho cristão”.
À cidade do Rio de Janeiro, o sacerdote destaca que a Igreja deseja reafirmar que caminha junto do povo, partilhando alegrias e dores, e permanecendo comprometida com a promoção da paz e da justiça. “É a Arquidiocese do Rio reafirmando o seu desejo de ser sinal de esperança e presença de Deus no coração da cidade”.




