Audiência

Evangelização, Ucrânia, abusos: Papa discursa a religiosos no Vaticano

Francisco interrompeu sua pausa de verão para receber, numa única audiência, os participantes de três Capítulos em andamento em Roma

Da Redação, com Vatican News

Papa Francisco /Foto: Daniel Ibanez – CNA

O Papa Francisco quebrou o “jejum” das audiências deste mês de julho recebendo em audiência nesta quinta-feira, 14, os capitulares de três Congregações religiosas: Ordem Basiliana de São Josafat, Ordem da Mãe de Deus e Congregação da Missão.

O Papa brincou  no início de sua saudação que não se trata de uma “salada de frutas de institutos”. Esta foi a modalidade encontrada neste período em que estão suspensas as audiências no Vaticano. Porém, o Papa fez questão de receber as audiências. 

O discurso de Francisco abordou vários pontos, como o critério essencial do discernimento: a evangelização. O Papa também renovou sua proximidade ao povo ucraniano e reiterou a tolerância zero na questão dos abusos.

Ajuda do Espírito Santo 

O Santo Padre convidou os presentes a “saborearem” este momento – a experiência capitular – que a pandemia impossibilitou durante tanto tempo. O Capítulo, prosseguiu Francisco, é o momento do discernimento comunitário, uma das mais belas e fortes experiências eclesiais.

Com a ajuda do Espírito Santo, busca-se ver em que medida foram fiéis ao carisma e que direção seguir. “Se não tem o Espírito num Capítulo, fechem as portas e voltem para casa! O Espírito deve ser quase o protagonista de um Capítulo”, disse o Papa.

A alegria da Igreja é evangelizar

Para isso, Francisco indicou o critério essencial: a evangelização. Isto é, se as escolhas feitas, os métodos, os instrumentos e os estilos de vida são orientados a testemunhar e anunciar o Evangelho. Não obstante os carismas sejam diferentes, todos podem e devem cooperar para a evangelização. 

Citando a Evangelii Nutiandi, de Paulo VI, o Pontífice recordou que a “vocação da Igreja é evangelizar, a alegria da Igreja é evangelizar”. Este chamado não diz respeito somente ao plano pessoal, como todo batizado, mas também de forma comunitária, com a vida fraterna. “Esta é a via mestra para mostrar a pertença a Cristo”, disse Francisco, reconhecendo, porém, quanto seja difícil.

Conversão

Segundo Francisco, a vida em comunidade requer uma atitude cotidiana de conversão, de colocar-se em discussão e de vigilância sobre as rigidezes, o que é inconcebível para a mentalidade do mundo. Mas sobretudo, indicou Francisco, “requer humildade e simplicidade de coração.”

Por não ser “dons naturais”, devem ser pedidos incessantemente a Deus. Não se trata de manter relações de fachada e sorrisos artificiais, mas de viver uma fraternidade livre. Só assim pode transparecer a verdadeira alegria: “A alegria de ser de Cristo e de sê-lo juntos, com os nossos limites e os nossos pecados. Alegria de ser perdoados por Deus e compartilhar este perdão com os irmãos. “Esta alegria não se pode esconder, transparece! E é contagiosa”.

Fofocas destroem a alegria comunitária

Outro elemento importante de uma Congregação é a alegria dos santos. Como no caso dos capitulares presentes: São João Leonardi, São Josafat e São Vicente de Paulo. 

Estes santos mostram a importância de rezar e trabalhar. Foram evangelizadores, não proselitistas. Do ponto de vista da evangelização, não servem propostas místicas sem compromisso social e missionário, nem práxis sociais e pastorais sem espiritualidade. 

“Não se nasce fundadores!”, afirmou o Papa. Mas se torna por atração: o santo não atrai para si, mas para o Senhor. Eis, então, as palavras-chave: humildade, simplicidade de coração e alegria.

“Este é o caminho de uma fraternidade evangelizante. Impossível aos homens, mas não a Deus!”. O Papa mais uma vez alertou para as insídias das fofocas, que destroem a alegria comunitária.

Ucrânia

Francisco também dirigiu seu pensamento à Ucrânia, lugar de origem de São Josafat, membro da Ordem de São Basílio.

Neste momento de “dor e martírio” da pátria ucraniana, o Pontífice manifestou a sua solidariedade e a de toda a Igreja. Pediu mais uma vez que não nos habituemos à guerra, afirmando que outro dia viu que a notícia sobre o conflito estava somente na página 9 de um jornal. “Faço votos de que o Senhor tenha compaixão e esteja próximo com o dom da paz.”

Abusos: tolerância zero

Antes de concluir, o Papa recordou o problema dos abusos, enfatizando, uma vez mais, a postura de tolerância zero com os casos.

“Tolerância zero. Não tenham vergonha de denunciar. Peço isto: tolerância zero. Não se resolve isso com uma transferência”, disse.

 

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