Padre Paulo Colombiano, IVE, comenta motivos que levam fiéis a realizarem mortificações na Quaresma e deu conselhos de como escolher uma penitência
Gabriel Fontana
Da Redação

Foto: Canva
Com forte apelo à conversão, a Quaresma é um tempo em que os fiéis costumam realizar mais penitências. De banho gelado a cortar doce ou refrigerante, de acordar para rezar o Rosário na madrugada a ficar um tempo sem redes sociais, é fundamental compreender como as mortificações podem contribuir com o crescimento espiritual.
A proposta de causar pequenos incômodos a si mesmo durante o dia a dia pode soar um pouco estranha para algumas pessoas. Afinal, por que Deus Se alegraria em ver um de Seus filhos em situação de desconforto?
O mestre em Teologia Espiritual pela Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino em Roma, padre Paulo Colombiano, IVE, recorda a exortação feita por Jesus: “se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24).
Mais do que seguir Cristo até o Calvário, é preciso deixar-se crucificar com Ele, indica o sacerdote. Ele cita ainda Santo Inácio de Loyola, que explica que as penitências são realizadas principalmente para três efeitos: para satisfação dos pecados passados; para vencer-se a si mesmo, a fim de que a sensualidade obedeça à razão e todas as partes inferiores estejam mais sujeitas às superiores; e para buscar e achar alguma graça ou dom que a pessoa quer e deseja.
Como escolher uma penitência?
Para escolher uma penitência, padre Paulo pontua que o fiel deve levar em conta o seu defeito dominante. Trata-se da imperfeição que é raiz ou origem de outros pecados, como, por exemplo, o orgulho, que leva o fiel a faltar com a paciência, discutir e não reconhecer que está errado.
“Uma prática penitencial nesse caso seria buscar realizar atos de humildade e obediência”, cita o religioso. No caso da preguiça e da procrastinação, ele sugere como penitências a disciplina com um horário para acordar ou estabelecer um momento específico para usar o celular, causa de muita perda de tempo e de distrações.
Além disso, o sacerdote ressalta que é necessário realizar as penitências com espírito de humildade. Ele relembra outra exortação de Jesus, que ensinou: “não pratiqueis vossa justiça na frente dos outros, só para serdes notados. De outra forma, não recebereis recompensa do vosso Pai que está nos céus” (Mt 6,1).
“Devemos fazer tudo para maior glória de Deus”, acrescenta o padre, “pois o demônio pode nos tentar fazendo-nos pensar: ‘como somos já santos ou melhores que os outros pelas penitências que fazemos’. Devemos com espírito humilde reconhecer quão pecadores somos e oferecer as penitências nesse sentido”.
Espírito de mortificação
Padre Paulo pontua que a Quaresma é um tempo forte de penitência pela própria conversão e salvação das almas, mas o fiel é chamado a manter o espírito de mortificação durante o ano todo, sobretudo às sextas-feiras.
Segundo o Código de Direito Canônico, esse dia da semana, juntamente à Quaresma, constitui “os dias e tempos de penitência na Igreja Universal” (Cân. 1250). Neste contexto, determina que o fiel guarde a abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as determinações da Conferência episcopal, todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com alguma solenidade da Igreja; e a abstinência e o jejum na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira da Paixão.
“A conversão realiza-se na vida cotidiana por gestos de reconciliação, pelo cuidado dos pobres, o exercício e a defesa da justiça e do direito, pela confissão das próprias faltas aos irmãos, pela correção fraterna, revisão de vida, exame de consciência, direção espiritual, aceitação dos sofrimentos e coragem de suportar a perseguição por amor da justiça. Tomar a sua cruz todos os dias e seguir Jesus é o caminho mais seguro da penitência”, conclui padre Paulo.




