Estilo carrega séculos de tradição e é marcado por melodia simples e, geralmente, pelo latim
Há mais de trinta anos, um coral dedicado ao canto gregoriano se reúne, semanalmente, para preservar um estilo musical que atravessa séculos e continua fascinando fiéis e admiradores da música sacra.
Reportagem de Vanessa Anicio
Imagens de Emerson Borges e Vitor Ferreira
Descrito por muitos como uma oração cantada, o canto gregoriano nasceu na Idade Média como forma de contemplação e o nome não é à toa. Faz referência ao Papa Gregório Magno, responsável por organizar e reunir antigos textos que deram origem a este canto.
Com melodia simples em uníssono e geralmente em latim, o estilo carrega séculos de tradição. “Pelo Concílio Vaticano II, ele foi colocado como canto oficial da igreja, como canto oficial da liturgia. A importância dele está nessa tradição que a gente vem sempre preservando, vem sempre cultivando para que ela continue, para que ter sempre com a gente”, contou o coordenador administrativo do coral, Antônio Corrêa Neto.
Em Belo Horizonte, essa tradição ecoa há mais de três décadas. O coral gregoriano da capital mineira é o mais antigo do gênero em atividade na Arquidiocese, fundado em março de 1990 por padre Nereu de Castro, o único brasileiro a fazer parte da Associação Internacional de Corais deste gênero, o grupo surgiu como forma de resgatar o mais antigo repertório da Igreja Católica.
Para Maria das Graças, um canto que faz parte da vida. “O canto gregoriano fez parte de mim até para estudo. Quando eu estudei harmonia e contra ponto, eu precisava do canto gregoriano. Aí foi aí que eu procurei. Padre Nereu fundou em 1990 a escola. Eu fui estudar com o padre Nereu”, lembrou a regente, Maria das Dores Faustino Lage.
Um estilo único que carrega não só beleza, mas também história. “O canto gregoriano é a base da música, de toda a música que nós escutamos no Ocidente”, afirmou o músico e coralista, Fabrício Bento.
O trabalho se mantém graças à dedicação dos integrantes do coral, que continua de portas abertas para novos participantes. Uma forma de preservar não apenas um estilo musical, mas também uma expressão de fé que atravessa gerações.
“A gente até brinca internamente que nós somos os heróis da resistência, porque apesar de existirem várias manifestações de gregoriano no Brasil, inclusive em Belo Horizonte também, são poucas. Então é uma oportunidade que a gente tem que agarrar e fazer acontecer, essa tradição de tantos anos e continuar ao longo dos anos aí com a graça de Deus”, concluiu o coralista, Lucas Dueles.




