Entre o sertão e o mar, o Nordeste revela um tesouro que vai além da cultura e da força do trabalho: é também terra de fé. No Dia do Nordestino, o Brasil redescobre a santidade que brota do coração do seu povo.
Reportagem de Gabriele Sanchotene e Valdo de Jesus
Da Bahia vem a primeira santa nascida no Brasil: Santa Dulce dos Pobres. A mulher que transformou compaixão em obras e os pobres em irmãos. “No galinheiro do convento ela começa a colocar os doentes ali, e uma irmã perguntou:’irmã, e as galinhas?’, ela disse;’ as galinhas viraram sopa, as galinhas já estão na barriga dos pobres’”, contou o reitor do Santuário e guardião do Convento São Judas Tadeu, frei Mário Sérgio.
No Rio Grande do Norte, os Mártires de Cunhaú e Uruaçu deram a vida pela fé.
Três séculos depois, foram reconhecidos como santos — exemplo de coragem e fidelidade.”Eles representam o povo nordestino, que não abandona a fé, mesmo nas horas mais difíceis”, falou o missionário da Comunidade Canção Nova, Emanuel Stênio.
Do Cariri cearense vem a Beata Benigna Cardoso, a menina heroína da castidade.
Do interior potiguar, a Beata Lindalva Justo, mártir da pureza. E o missionário Padre Ibiapina, o ‘apóstolo do Nordeste’, reconhecido como venerável por suas obras de caridade e fé. E em Pernambuco, Frei Damião de Bozzano deixou marcas profundas de fé.”Inclusive o próprio corpo de frei de Bozzano, que é o frei Damião, traz as marcas de quem passou a vida inteira dedicada ao confessionário, era um homem de uma mística profunda, de uma ascese profunda, e de uma oração profunda e isso passava pro povo, e o povo tem faro pra saber quem é santo”, completou o frei.
E foi aqui, em Sergipe, que o Frei Miguel de Cingoli viveu os últimos anos de missão.
Italiano de nascimento, nordestino de coração, ele dedicou a vida aos pobres — um testemunho que continua inspirando gerações. “E as pessoas mais velhas que conviveram com frei Miguel, não teriam outra coisa pra dizer, se não, ‘entre nós passou um santo por aqui, fazendo o bem, se sergipanizou, se nordestinizou e se chama frei Miguel”, retomou ele.
Do sertão à beira-mar, entre rezas e trabalhos, o povo nordestino segue mostrando que a santidade tem sotaque, sorriso e esperança. Um testemunho de fé que inspira todo o Brasil.




