Sob o altar da Basílica de Nossa Senhora da Penha, em São Paulo, o silêncio revela histórias de fé e saudade. Há mais de meio século, o Ossário abriga os restos mortais de fiéis que encontraram ali um lugar de oração e esperança.
Reportagem de Aline Imercio e Antonio Matos
Abaixo do altar da Basílica de Nossa Senhora da Penha está o Ossário, um local com mais de 15.000 nichos. A maioria guarda os restos mortais de fiéis falecidos.
“O Ossário foi criado em 1972 pelo então padre Calazans aqui no subsolo da basílica, até para abrigar os fiéis que quisessem colocar os seus restos mortais”, disse o pároco da Basílica Nossa Senhora da Penha, padre Edmilson Leite.
O local também recebe as cinzas de fiéis que foram cremados. “Para nós católicos, se for cremado, tem que ser guardado num lugar, num lugar sagrado, onde se deposita as cinzas”, retomou ele.
A única pessoa enterrada aqui no Ossário foi padre Carlos Otaviano Gielle, que ficou na paróquia Nossa Senhora da Penha por mais de 30 anos. Trabalhou na evangelização e viveu uma vida de caridade com a comunidade e os mais pobres. A capela do Ossário inclusive ganhou o nome de padre Carlinhos.
“Padre Carlinhos, ele ficou tetraplégico, ficou cego, mas era um bom confessor. Então mesmo na cadeira de rodas, traziam ele pra igreja e ele gostava de confessar”, lembrou o padre.
O Ossário ainda possui vagas disponíveis para depósito dos restos mortais de fiéis. Informações podem ser obtidas na Secretaria Paroquial. Além deles, São Paulo conta com outros espaços semelhantes, como os da paróquia Nossa Senhora de Fátima e São Roque para fiéis e a cripta da Catedral da Sé, onde repousam bispos e religiosos.
Na paróquia Nossa Senhora da Luz há também um cinerário. Para o padre Edmilson esses lugares são oportunidades de oração e de fortalecimento da fé. “Próximo à devoção a Nossa Senhora da Penha”, concluiu padre Edmilson.