O Secretário de Estado Pietro Parolin afirma que a inauguração do novo edifício contrasta fortemente “com a onda crescente de desconfiança em todo o mundo”
Da redação, com Vatican News

Cardeal Pietro Parolin em entrevista / Foto: IMAGO-Andrea Calandra via Reuters
“Esperança” foi a palavra-chave no discurso do Cardeal Pietro Parolin , por ocasião da inauguração de um novo edifício para a Embaixada do Iraque junto à Santa Sé.
“A cerimônia desta noite é um sinal de esperança”, disse o Cardeal Secretário de Estado da Santa Sé, observando o contraste com “a maré predominante de crescente desconfiança em todo o mundo”.
Diplomacia, a única alternativa à violência
Por si só, afirmou ele, uma embaixada “é um sinal de esperança para a humanidade, uma vez que oferece um fórum estável e um canal confiável para o diálogo e a cooperação entre os Estados”.
O Cardeal Parolin afirmou que a diplomacia é a “única alternativa genuína à resolução violenta” de conflitos no mundo, e reiterou a convicção da Santa Sé de que “as raízes e a razão de ser da diplomacia fundamentam-se na dignidade compartilhada por todo ser humano”.
O Cardeal relembrou a história das relações entre a Santa Sé e o Iraque, mencionando a presença de um Delegado Apostólico na região desde meados do século XIX e destacando o estabelecimento de relações diplomáticas há 60 anos, em 1966.
Recordando a afirmação do Papa Paulo VI sobre os benefícios decorrentes das relações diplomáticas entre a Sé Apostólica e diversos Estados, o Cardeal Parolin sustentou: “Estes sessenta anos de relações bilaterais demonstraram a verdade profética daquelas palavras e a importância de manter um canal diplomático qualificado e contínuo entre nós, especialmente durante os capítulos mais difíceis e dolorosos da história do Iraque — da qual os cristãos iraquianos são parte integrante, como cidadãos do país”.
O cardeal aproveitou a ocasião para agradecer às “pessoas reais” que sustentaram a relação diplomática, dedicando “suas vidas a curar as feridas da guerra e a semear novas sementes de esperança”.
Raízes históricas
Em seguida, remontando a um passado ainda mais distante, o Cardeal Parolin observou que as raízes dessa relação remontam a milhares de anos, afirmando: “nossa esperança tem raízes muito mais profundas, pois compartilhamos Abraão como nosso pai comum — ele que esperou contra toda esperança — e a antiga Mesopotâmia é, em certo sentido, o lar onde todos nós nascemos”. Após expressar gratidão “pela caminhada que percorremos juntos”, o Cardeal Parolin voltou-se para o futuro, dirigindo um olhar de esperança aos “jovens do Iraque, aos quais a Igreja pretende continuar oferecendo uma educação de qualidade, por meio de suas escolas e da Universidade de Erbil, para que, juntos, possamos dar a nossa contribuição na construção de um país de paz e estabilidade”.
O Cardeal Parolin concluiu o seu discurso manifestando o desejo de que “a esperança que herdamos de Abraão — e que vivenciamos ao longo destes sessenta anos — permaneça nesta Embaixada e continue a inspirar as nossas relações diplomáticas por muitos anos”.


