Memória litúrgica

Beata Lindalva: mártir brasileira é testemunho de serviço aos pobres

Religiosa da Companhia das Filhas da Caridade foi martirizada em 1993, deixando testemunho de doação e serviço aos pobres e abandonados

Gabriel Fontana
Da Redação

A imagem ilustra a Beata Lindalva Justo de Oliveira. Ao fundo, vê-se o Abrigo Dom Pedro II, em Salvador (BA), onde a religiosa trabalhou e foi morta.

Beata Lindalva Justo de Oliveira / Foto: Reprodução

Um testemunho de doação total a Deus e aos pobres que chegou até o martírio. Esta é a história da Beata Lindalva Justo de Oliveira, religiosa brasileira cuja memória é celebrada nesta quarta-feira, 7.

Nascida em 20 de outubro de 1953, em Açu (RN), ingressou na vida religiosa aos 33 anos, após a morte de seu pai. Lindalva iniciou seu noviciado na Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo em 16 de julho de 1989.

A imagem ilustra uma religiosa de pele branca e hábito azul, com o braço esquerdo estendido apontando para um banner no qual está escrito "Eu guardo a minha lâmpada acesa para o Senhor!".

Irmã Conceição / Foto: Arquivo pessoal

Quem a convidou para participar de um encontro vocacional foi sua amiga, Conceição, que também se tornou religiosa mais tarde. Em entrevista ao Jornalismo Canção Nova, irmã Conceição conta que uma religiosa havia falado que convidassem outros jovens para estar nos encontros e, a partir desse pedido, decidiu chamar Lindalva para participar.

A partir do convite de Conceição, Lindalva começou a frequentar os encontros e, após um tempo, optou por ingressar na vida religiosa. Irmã Conceição recorda o entusiasmo da amiga: “lembro até hoje, ela entrou no postulado e sempre se correspondia comigo, onde ela estivesse. Ela sempre dizia, em suas cartinhas, ‘estou muito feliz e realizada com a vocação’”.

Vida religiosa

Lindalva concluiu seu noviciado em 26 de janeiro de 1991 e, em seguida, foi enviada para o Abrigo Dom Pedro II, em Salvador (BA), com a missão de cuidar dos idosos e enfermos no local. Zelosa e caridosa, a vicentina fez um curso de Enfermagem para melhor se dedicar aos doentes.

É carregando a cruz que conhecemos o amor de Deus!
– Beata Lindalva

Irmã Conceição cita como Lindalva irradiava o desejo por uma vida de doação. “Quero ter uma felicidade celestial, transbordar de alegria para ajudar o próximo, ser incansável em fazer o bem”, escreveu em uma das cartas à amiga, que destaca como o serviço aos abandonados foi o grande testemunho deixado pela beata.

“O que eu tenho de Lindalva é isso. Essa alegria, esse amor, essa doação com a qual ela, com pouco tempo, mostrou a sua disponibilidade”, expressa irmã Conceição.

Martírio

“Pouco tempo” porque, em 9 de abril de 1993, apenas dois anos após o início de sua missão, em uma Sexta-feira Santa, a religiosa foi assassinada no refeitório do abrigo onde servia. Após subir as escadas que davam acesso ao local, ela foi atacada por Augusto da Silva Peixoto, que desferiu 44 facadas contra a irmã Lindalva.

O agressor havia se apaixonado pela religiosa, que o rejeitou por causa de sua fé e seus votos de castidade. Por conta disso, decidiu matá-la, levando a irmã Lindalva ao martírio quando tinha 39 anos de vida.

Após o assassinato da freira, o processo de beatificação começou em 17 de janeiro de 2000. Por ser considerada mártir, não foi necessário um milagre para que a causa avançasse, e a irmã Lindalva foi beatificada em 2 de dezembro de 2007. A Missa foi celebrada pelo então arcebispo de Salvador (BA), Dom Geraldo Majella Agnelo. Sua memória litúrgica é celebrada em 7 de janeiro, dia em que foi batizada.

Espera pela canonização

Após 33 anos desde a morte da Beata Lindalva e 19 anos desde sua beatificação, ainda espera-se pela sua canonização. Membro da Congregação da Missão e residente na Itália, padre Vinícius Teixeira indica que o processo se encontra dentro da normalidade requerida para esta etapa. Tudo depende do reconhecimento oficial, por parte do Dicastério para as Causas dos Santos, dos possíveis milagres obtidos pela intercessão da religiosa.

“Alguns desses supostos milagres já foram apresentados ao Postulador da Causa em Roma, acompanhados da devida documentação, e aguardam um parecer prévio em vista da possível instauração de um tribunal diocesano que se ocupará dos procedimentos formais que antecedem a perícia definitiva por parte da Santa Sé”, explica o vicentino.

A imagem ilustra um padre católico com óculos, camisa branca e blazer preto, sorrindo.

Padre Manoel Filho / Foto: Arquivo pessoal

Enquanto isso, observa padre Vinícius, as Filhas da Caridade empenham-se em diferentes iniciativas de difusão do testemunho e da intercessão de Beata Lindalva. O vigário episcopal para a cultura, educação e comunicação na Arquidiocese de Salvador, padre Manoel Filho, destaca que muitas graças são noticiadas, com cada vez mais gente conhecendo a história da beata.

Padre Manoel frisa a simplicidade, humildade, bom humor e amabilidade da religiosa, características de uma pessoa realizada em sua vocação. “Muitas vezes confundimos santidade com heroísmo. “A vida e Martírio da Beata Lindalva nos ensina que santidade tem a ver com fazer a Vontade de Deus no lugar e na hora que Ele nos indicar. Eu costumo dizer que a Beata Lindalva encontrou os altares indo servir café. É muito simples, muito profundo e mostra com a santidade é acessível a todo batizado”, conclui.

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

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