FRATERNIDADE E MORADIA

Assessor da CNBB comenta tema da Campanha da Fraternidade 2026

Padre Jean Poul Hansen apresenta estatísticas sobre a questão habitacional no Brasil, frisa direto à moradia à luz da Igreja e explica como fiéis podem agir

Gabriel Fontana
Da Redação

A imagem conta com elementos do cartaz da Campanha da Fraternidade 2026. À frente vê-se uma imagem da escultura Jesus Sem-Teto, de Timothy Schmalz, que consiste em um homem enrolado em um cobertor e deitado em um banco de praça, apenas com os pés para fora, onde estão presentes as chagas de Cristo. Em segundo plano, estão elementos gráficos marrons e laranjas de um cenário urbano, com prédios, casas e uma igreja. No topo, lê-se as inscrições "Fraternidade e Moradia" e "Ele veio morar entre nós (João 1,34)", além dos logotipos da CNBB e da Campanha da Fraternidade.

Foto: Reprodução CNBB

Com o início da Quaresma nesta quarta-feira, 18, foi lançada também a Campanha da Fraternidade 2026. A edição da iniciativa promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tem como tema, neste ano, “Fraternidade e Moradia”.

O assessor nacional de campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen, destaca a relevância da questão habitacional no Brasil. Segundo o sacerdote, mais de 6 milhões de famílias não possuem moradia e mais de 26 milhões de famílias vivem em condições inadequadas.

Padre Jean Poul cita ainda que quase 9 milhões de pessoas vivendo em áreas de risco (especialmente de alagamento e deslizamento) e cerca de 330 mil brasileiros vivem em situação de rua. Ao mesmo tempo, observa, o país conta com 11 milhões e 400 mil domicílios vazios.

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Direito à moradia digna

Coordenador nacional de campanhas da CNBB, Padre Jean Poul Hansen / Foto: CNBB

O sacerdote recorda que o artigo VI da Constituição Federal determina que todo cidadão brasileiro tem direito à moradia digna. “Este é um elemento essencial para o desenvolvimento humano integral, que é o desejo de Deus. Ele, com o mistério da sua encarnação – expresso no lema “Ele veio morar entre nós!” (Jo 1,14) – tocou tudo aquilo que é verdadeiramente humano, tornando a nossa humanidade em caminho para a salvação”, expressou.

O assessor da CNBB pontua que a Igreja compreende o direito à moradia de forma mais alargada. Recordando as palavras do Papa Francisco e do Papa Leão XIV em seus encontros com os participantes do Encontro Mundial dos Movimentos Populares em 2014 e 2025, respectivamente, padre Jean Poul frisa que “terra, teto e trabalho são necessidades sagradas de todo ser humano”.

“É nesse tríplice aspecto que a Igreja entende, em sua Doutrina Social, o direito à moradia atrelado ao direito à terra e ao trabalho”, afirma o sacerdote. Ele detalha que, no Antigo Testamento, a terra sempre foi considerada, ao longo da história do povo de Israel, uma posse coletiva, destinada a todas as pessoas. O trabalho, acrescenta, é quem garante a sustentação do teto edificado sobre a terra.

O papel da Igreja

Citando a constituição pastoral do Concílio Vaticano II, o assessor pontua que não há realidade verdadeiramente humana que seja estranha ao coração de Deus e, por isso, nenhuma realidade verdadeiramente humana pode ser estranha aos discípulos de Cristo. “A Igreja não dispõe de todos os meios necessários para solucionar o problema da moradia no Brasil, mas ela, que é especialista em humanidade, sabe sensibilizar, conscientizar e comprometer seus fiéis”, sublinha.

Neste contexto, o primeiro gesto concreto que os fiéis podem assumir é a oração. “Todos nós, ainda que nada mais possamos fazer, podemos rezar sem cessar por aqueles que sofrem por causa da falta de moradia ou por viver numa moradia inadequada”, indica o sacerdote.

Padre Jean Poul menciona ainda que é possível partilhar dos dons que Deus deu, sejam eles materiais ou espirituais, para promover a moradia digna para os irmãos e irmãs que não a têm. Por fim, cita a ação política, com os fiéis reivindicando iniciativas públicas que garantam o direito à moradia digna.

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