Seguindo o programa de sua viagem apostólica, o Papa Leão XIV visitou na manhã deste sábado, 29, a Mesquita do Sultão Ahmed, um dos locais mais simbólicos de Istambul
Da redação, com Vatican News

Foto: VATICAN MEDIAIPA/Sipa USA via Reuters Connect
O primeiro compromisso do Papa Leão XIV neste sábado, 29, terceiro dia de viagem apostólica à Turquia e Líbano, foi a visita à Mesquita do Sultão Ahmed, em Istambul. Conhecida como “Mesquita Azul”, o local é um dos monumentos mais simbólicos da cidade turca e foi visitada anteriormente por Bento XVI, em 2006, e por Francisco, em 29 de novembro de 2014.
A Sala de Imprensa da Santa Sé destacou que o Papa vivenciou esta visita em “em silêncio, em espírito de recolhimento e escuta, com profundo respeito pelo local e pela fé daqueles que ali se reúnem em oração”.
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A singular mesquita exibe em seu interior 21.043 azulejos de cerâmica turquesa incrustados nas paredes e na cúpula e ostenta um teto altíssimo iluminado por 260 janelas. Foi construída (1609-1617) pelo Sultão Ahmed I, em parte do terreno do Grande Palácio de Constantinopla, para se tornar o local de culto mais importante do Império Otomano. O plano de construção foi meticulosamente descrito em oito volumes, agora preservados na Biblioteca Topkapi.
“Satisfeito com a atmosfera”
“Ele disse que queria ver mais, que queria sentir a atmosfera da Mesquita, e pareceu muito satisfeito”, explicou o muezim Aşkın Musa Tunca, que acompanhou o Pontífice em sua visita ao que ele chama de “a casa de Alá”, aos jornalistas presentes no evento.
Tunca acompanhou o Papa em sua visita, desde sua chegada ao pátio, quando o sol já havia se elevado acima dos seis minaretes. Esta é uma peculiaridade da Mesquita Sultan Ahmed (geralmente as mesquitas têm quatro), superada neste aspecto apenas pela Mesquita da Caaba em Meca, que tem sete.
Entre as abóbadas da mesquita
Também acompanharam o Papa nesta etapa inicial de seu terceiro dia na Turquia – que prossegue com uma visita ao Fanar para encontrar o patriarca Bartolomeu e terminará com uma Missa na Volkswagen Arena – o ministro da Cultura e do Turismo, Mehmet Nuri Ersoy; o mufti provincial de Istambul, Emrullah Tuncel; o imame do Sultão Ahmed, Kurra Hafız Fatih Kaya.
Com eles, Leão caminhou em direção à sala de oração, em meio a palavras sussurradas e dois gatos (dois dos milhares que vagam por Istambul) rondando pelo tapete vermelho. A comitiva papal também incluía os cardeais Kurt Koch, prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, e George Koovakad, prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso.
Todos pararam por mais tempo diante do púlpito do muhazīn, com Tunca explicando a arquitetura e a função deste espaço da mesquita onde os fiéis são chamados à oração. Em seguida, o Papa passou em frente ao “Mihrab”, o nicho de mármore que indica a direção de Meca, que também contém uma Sura – a número 19 – que se refere à Virgem Maria. Ele continuou sua visita, olhando várias vezes para a cúpula e o teto de 23 metros de altura.
Visita à Igreja Ortodoxa
Pouco antes das 9h25 locais, o Papa deixou a Mesquita Azul para se dirigir à Igreja Ortodoxa Siríaca Mor Ephrem, localizada em Yeşilköy, no lado europeu de Istambul. Dedicada a Efrém, o Sírio, ela foi inaugurada em 2023, após uma construção que durou cerca de uma década e foi adiada diversas vezes devido à pandemia de Covid-19 e ao terremoto. É a primeira e, até o momento, a única igreja construída na Turquia desde a fundação da República.
Ali, o Papa Leão XIV se reuniu em particular com líderes e representantes de Igrejas e comunidades cristãs, alguns dos quais estiveram presentes este sábado em Iznik na cerimônia que comemorou o 1700º aniversário do Concílio de Niceia.
Hoje, todos estão sentados ao redor de uma mesa redonda, e o Papa foi recebido pelo patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu, com quem se encontrará novamente no Fanar, sede do Patriarcado, no início da tarde, e com quem assinará uma Declaração Conjunta.
O penúltimo ato do dia ocorrerá após a Doxologia, um momento ritual na Igreja Patriarcal de São Jorge, e antes da Missa, para a qual está prevista, no momento, a participação de cerca de 4.000 pessoas.




