Santo Padre lembra que crianças e adolescentes são os mais vulneráveis em migrações
O Vaticano divulgou, nessa sexta-feira, 14, a mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado. No texto, o Santo Padre destaca a realidade de crianças e jovens que vivem o drama da migração.
Reportagem de Danúbia Gleisser e Daniele Santos
Na mensagem para o 112º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, o Papa Leão XIV destaca de forma especial a situação dos menores.
O padre Paolo Parise explica que o migrante muitas vezes é reduzido à condição de mão de obra. “Geralmente o migrante é visto só em alguma perspectiva como força de trabalho. Então alguém que atua na área da economia que desenvolve trabalho, às vezes”, afirmou o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.
Para ele é preciso enxergar antes de tudo a pessoa e sua história. “Mesmo um só destes pequeninos”, é o tema escolhido pelo Santo Padre para a data.
Na mensagem, o Pontífice explica que a proposta é chamar atenção para crianças e adolescentes diretamente envolvidos em experiências de migração e fuga, reforçando a necessidade de cuidado e proteção a cada um.
Leão XIV afirma que crianças e adolescentes estão entre os mais vulneráveis nos fluxos migratórios. São rostos concretos, histórias únicas que interpelam a consciência.
Milhões de pessoas deixam suas terras todos os anos por causa de guerras, pobreza, violência e catástrofes ambientais. No caminho, enfrentam perdas familiares e situações marcadas por sofrimento e violência, como recrutamento de menores para conflitos armados, violência sexual e casamentos forçados. O Santo Padre lamenta que a dignidade dessas crianças seja espezinhada de diversas formas.
O Papa aponta a solidariedade como sinal de esperança. Famílias, comunidades, educadores e voluntários hospedam e cuidam de crianças migrantes, mostrando que o amor pode vencer a indiferença. Leão XIV lembra que toda a comunidade cristã é chamada a acolher e cuidar dessas crianças.
O Pontífice defende que instituições públicas e privadas coloquem no centro a proteção e a dignidade de cada criança e adolescente. Entre as prioridades estão a reunificação familiar e a prevenção dos traumas causados pela separação.
Para Leão XIV, é preciso ir além da simples gestão dos fluxos migratórios e garantir direitos, acolhimento e oportunidades de integração. “O desafio é lidar com os migrantes, superando a política securitária, que tenta só defender os interesses nacionais”, concluiu padre Paolo.
De acordo com ele, o grande desafio da igreja é ser fiel ao evangelho, apontar critérios, princípios para que os países possam acolher cada pessoa em situação de migração.




