O bispo Krzysztof Nykiel apresenta um seminário e convida os fiéis a redescobrir o Sacramento da Reconciliação
Da redação, com Vatican News

O bispo Krzysztof Nykiel, Regente da Penitenciaria Apostólica / Foto: Reprodução TV Dami Jelenia Góra
“Nunca deixamos de retornar a Deus, porque Ele nunca deixa de nos esperar”, afirma Dom Krzysztof Nykiel. O Regente da Penitenciária Apostólica dirige-se, de modo especial, àqueles que se afastaram da confissão por medo, vergonha ou por caírem repetidamente no pecado.
Em entrevista ao Vatican News, ele explica o significado do arrependimento sincero e apresenta um seminário sobre o sacramento da Reconciliação, que reunirá mais de 800 pessoas — tanto presencialmente quanto online — nos dias 23 e 24 de outubro.
Vatican News — A Penitenciaria Apostólica vem promovendo, há muitos anos, iniciativas de formação sobre o sacramento da Reconciliação. Como surgiu a ideia de organizar um seminário voltado especificamente para os fiéis leigos?
Dom Krzysztof Nykiel — A ideia surgiu ao atender a uma necessidade que se tornou cada vez mais evidente ao longo dos anos. Há mais de trinta anos, a Penitenciaria Apostólica organiza o Curso sobre o Foro Interno, destinado a sacerdotes que desejam aprofundar sua preparação para exercer, com competência e sensibilidade, o delicado ministério de ouvir confissões. Paralelamente a essa iniciativa, recebemos também muitos pedidos de fiéis leigos que desejam aprender mais sobre este sacramento e compreender seu significado com maior profundidade. Diante disso, refletimos sobre a melhor forma de responder a esse interesse e elaboramos um programa de formação voltado, sobretudo, aos penitentes, a fim de auxiliá-los na preparação para a confissão e na vivência desse sacramento com maior consciência, serenidade e confiança. O Papa Francisco incentivou esta iniciativa desde o início, reconhecendo o seu valor pastoral. Também o Papa Leão XIV nos tem oferecido um grande apoio à medida que prosseguimos nesta caminhada, a qual desejamos colocar, cada vez mais, a serviço da formação espiritual dos fiéis. O interesse despertado pelas edições anteriores confirma que esta proposta responde a uma necessidade real. Em sua quinta edição, o seminário tem contado com uma participação expressiva: mais de 800 pessoas inscreveram-se, tanto para a modalidade presencial quanto para a participação online.
Vatican News — A quem se destina, prioritariamente, este programa de formação?
Dom Krzysztof Nykiel — O seminário destina-se, antes de tudo, aos fiéis leigos, que, muitas vezes, dispõem de menos oportunidades para uma formação aprofundada do que aquelas oferecidas aos sacerdotes. Pensamos, em particular, nos catequistas, educadores, formadores e em todos os que estão envolvidos na vida pastoral das comunidades cristãs, acompanhando outras pessoas em sua caminhada de fé. A participação, naturalmente, também está aberta a sacerdotes, bem como a religiosos e religiosas. A presença deles é valiosa, pois lhes permite compartilhar com suas respectivas comunidades aquilo que ouviram e aprofundaram durante o seminário. A necessidade de reconhecer as próprias limitações e de acolher o perdão diz respeito a todo cristão. Ninguém pode considerar-se isento da necessidade da misericórdia de Deus. Todos precisamos saber que somos perdoados, a fim de recuperar a paz interior e encontrar forças para prosseguir em nossa caminhada, quando percebemos que nos desviamos do que é bom.
Vatican News — O tema escolhido para esta quinta edição coloca a “contritio cordis”, ou contrição do coração, no centro. Qual é o tema subjacente às reflexões propostas e por que esse aspecto da Confissão é tão importante?
Dom Krzysztof Nykiel — A contrição não é um elemento secundário no sacramento. É uma disposição interior fundamental, pois expressa o reconhecimento sincero do mal que praticamos e o desejo genuíno de mudar de vida. Não se trata apenas de sentir pesar por um erro ou de temer as suas consequências; significa compreender que o pecado fere a nossa relação com Deus, com os outros e conosco mesmos. Para explorar este tema, propusemo-nos a colocar a Sagrada Escritura em diálogo com a reflexão antropológica e com a teologia sacramental e pastoral. O nosso objetivo é mostrar que o arrependimento autêntico não nasce do medo de ser rejeitado, mas da consciência de que somos amados e chamados para uma vida nova. O programa terá início na sexta-feira, 23 de outubro, às 16h (horário da Europa Central), com um pronunciamento e uma *lectio* do Penitenciário-Mor, Cardeal Angelo De Donatis. A sua reflexão centrar-se-á nos fundamentos bíblicos da *contritio cordis* (contrição do coração), com referência particular ao Salmo 50, uma das grandes orações penitenciais da tradição bíblica. Seguir-se-á uma reflexão da Professora Lodovica Maria Zanet, da Universidade Salesiana, que examinará a relação entre culpa, pesar, arrependimento e contrição, oferecendo critérios para distinguir estas experiências e compreender o seu significado na vida de uma pessoa. Os trabalhos prosseguirão na manhã de sábado com uma palestra do Padre Giuseppe Forlai, do clero de Roma, sobre as etapas do verdadeiro arrependimento e uma comparação entre as perspectivas espirituais do Oriente e do Ocidente. Em seguida, haverá uma apresentação do Padre Jaime Emilio González Magaña, S.J., teólogo da Penitenciaria Apostólica, sobre a reparação — entendida como a possibilidade de reconstruir o que o pecado feriu — no âmbito da vida sacramental e pastoral da Reconciliação. São temas distintos, mas profundamente interligados. Juntos, ajudam-nos a compreender que a confissão não termina no reconhecimento das nossas faltas: é um caminho no qual a verdade encontra a misericórdia e o arrependimento torna-se o início de uma vida renovada.
Vatican News — Que espaço terão os testemunhos pessoais, e como o seminário será encerrado?
Dom Krzysztof Nykiel — Os testemunhos serão particularmente valiosos. A reflexão teológica é indispensável, mas o testemunho pessoal nos ajuda a compreender como a graça de Deus pode entrar no cotidiano, sustentar aqueles que atravessam momentos difíceis e restaurar a esperança daqueles que pensam que jamais poderão recomeçar. Ouvir pessoas que vivenciaram esse encontro pode ajudar cada um de nós a superar medos e preconceitos. Isso nos recorda que a misericórdia não é uma realidade abstrata, mas um amor que alcança as pessoas nas circunstâncias concretas de suas vidas. Nossa esperança é que os participantes retornem para casa com uma compreensão renovada e o desejo de compartilhar a alegria desse encontro com os outros.
Vatican News — Vossa Excelência, qual é a diferença entre simplesmente sentir pesar por ter feito algo errado e a verdadeira contrição do coração?
Dom Krzysztof Nykiel — Esta é uma distinção muito importante. Todos nós podemos sentir pesar por algo que fizemos, especialmente quando percebemos as consequências negativas ou constatamos que prejudicamos um relacionamento. Mas a contrição vai mais fundo: ela surge quando reconhecemos sinceramente o mal que praticamos e desejamos retornar ao Senhor, permitindo que a Sua graça nos transforme. O verdadeiro arrependimento não significa permanecer aprisionado na culpa ou convencer-se de que não se tem valor algum. Pelo contrário, significa ter a coragem de olhar honestamente para a própria vida, reconhecer as próprias responsabilidades e abrir-se para a possibilidade de mudança. O arrependimento autêntico traz, naturalmente, o desejo de evitar o pecado e, na medida do possível, de reparar o mal causado. A misericórdia não elimina a nossa responsabilidade; ao contrário, ela nos dá forças para aceitá-la e seguir por um novo caminho.




