ENCONTRO

“Quem vive de verdade é quem vive com Deus”, diz Papa aos jovens

Durante encontro com jovens da Diocese de Roma neste sábado, 10, Leão XIV ouviu suas inquietações, falou sobre a solidão e frisou proximidade de Jesus

Da Redação, com Vatican News

A imagem ilustra o Papa Leão XIV, com suas habeituais vestes pontifícias, abraçando um jovem. O rapaz está de costas, usando um moletom azul escuro no qual está escrito, em italiano, "Se creio em Deus é graças a você".

Papa Leão XIV abaraça jovem durante encontro na Sala Paulo VI / Foto: REUTERS/Ciro De Luca

O Papa Leão XIV participou de um encontro com os jovens da Diocese de Roma neste sábado, 10. Na Sala Paulo VI, o Pontífice foi recebido com entusiasmo pelos milhares de participantes, que o saudaram calorosamente e lhe ofereceram um emocionante abraço.

Comovido pela acolhida, o Santo Padre iniciou seu discurso de forma espontânea. “Estou muito contente por estar com vocês, por ter esta oportunidade de partilhar um pouco tantas questões da vida”, expressou, estabelecendo desde o início um clima de proximidade e escuta com a juventude de sua diocese.

Leão XIV ouviu suas inquietações, reconheceu suas feridas e indicou caminhos concretos para uma vida verdadeiramente humana e cristã, recordando a intensidade espiritual vivida durante o Ano Santo e destacando que essa experiência não deve permanecer apenas como memória, mas transformar-se em compromisso: ser não apenas peregrinos da esperança, mas testemunhas vivas dessa esperança no cotidiano.

“Não estamos sozinhos”

Partilhando uma experiência pessoal, o Papa contou ter recebido, pouco antes do encontro, uma mensagem de sua sobrinha, também jovem, que lhe perguntava como conseguia enfrentar tantos problemas do mundo e se não se sentia sozinho. A resposta, afirmou estava diante dele: “em grande parte, são vocês, porque não estamos sozinhos”.

O Pontífice recordou ainda, com dor, a morte dos 40 jovens de Crans-Montana, convidando à memória e à compaixão: “a vida é preciosa e não se pode esquecer quem sofre”. Por isso, sublinhou a importância da oração e da unidade, para que todos permaneçam “sempre unidos, como amigos, como irmãos”.

Alerta contra as relações sem afeto

O Santo Padre não ignorou o mal-estar que atravessa a vida de muitos jovens, marcado por solidão, desorientação e tédio, mesmo em meio a tantas pessoas e estímulos. “Quando esse cinzento embaça as cores da vida, vemos que é possível estar isolado até mesmo no meio de muitas pessoas”, afirmou.

Segundo Leão XIV, a solidão mostra seu rosto mais duro quando “não se é ouvido, porque se está imerso no barulho das opiniões” e quando “não se olha para nada, porque se está ofuscado por imagens fragmentárias”. Nesse contexto, foi incisivo ao denunciar a ilusão das relações virtuais esvaziadas de afeto:

“Uma vida de links sem relação ou de curtidas sem afeto nos decepciona, porque fomos feitos para a verdade: quando ela falta, sofremos. Fomos feitos para o bem, mas as máscaras do prazer descartável traem o nosso desejo”, salientou o Papa.

“Deus nunca nos abandona”

O Pontífice lembrou que, embora a natureza ofereça alimento, água e ar em abundância, isso não basta para saciar o coração humano. “A disponibilidade da natureza não nos basta, porque nós não somos apenas aquilo que comemos, bebemos e respiramos”, pontuou. A razão, explicou, está no fato de que o ser humano é uma criatura única: “trazemos em nós a imagem de Deus, que é relação de vida, de amor e de salvação”.

Por isso, ao falar novamente da solidão, o Santo Padre dirigiu uma palavra direta e consoladora aos jovens: “quando você se sentir sozinho, então lembre-se de que Deus nunca o abandona”. Essa certeza, sinalizou, torna-se força para dar o primeiro passo em direção ao outro, rompendo o fechamento em si mesmo.

Do encontro com Jesus, prosseguiu Leão XIV, nasce a força para mudar a própria vida e transformar a sociedade. “A luz do Evangelho ilumina as nossas relações”, expandindo-se por meio de palavras e gestos cotidianos, até tornar “um mundo cinzento e anônimo um lugar acolhedor, à medida do ser humano, justamente porque é habitado por Deus”, explicou.

Agir com alegria e perseverança

O Papa expressou alegria pelas experiências autênticas vividas pelos jovens nas paróquias, nos oratórios e nas associações, mas os advertiu a não esperarem reconhecimento fácil. “Não esperem que o mundo os acolha de braços abertos”, afirmou, lembrando que “a publicidade, que precisa vender algo para consumir, tem mais audiência do que o testemunho, que quer construir amizades sinceras”.

“Ajam com alegria e perseverança”, exortou o Pontífice, “sabendo que, para mudar a sociedade, é preciso antes de tudo mudar a nós mesmos”. Ele indicou que, se realmente existe o desejo pela santidade, é preciso começar com uma vida sã e ajudar-se mutuamente a evitar aquelas situações que, infelizmente, marcam a vida de tantos jovens, como as dependências:

“Somos testemunhas, e os verdadeiros amigos são aqueles que acompanham e podem realmente oferecer uma vida sã, porque todos somos santos. E isso também depende de vocês. Não tenham medo de assumir essa responsabilidade. Quem vive de verdade é quem vive com Deus, autor e salvador da vida. É assim que todos podemos ser santos nesta vida”, exclamou o Santo Padre.

Força da oração

Respondendo ao desejo dos jovens de saber o que fazer de concreto para romper as “correntes” que aprisionam, Leão XIV foi claro: “antes de tudo, rezar”. Ele definiu a oração como um gesto profundamente real e transformador, o ato mais concreto que o cristão realiza para o bem de quem está ao seu lado, de si mesmo e do mundo inteiro.

A oração, explicou o Papa, “é um ato de liberdade, que rompe as correntes do tédio, do orgulho e da indiferença”. É Deus quem acende o fogo de um coração ardente, especialmente quando o cristão O encontra na Eucaristia, no Evangelho e nos Salmos, tornando-se capaz de ser “luz do mundo e sal da terra”.

Por fim, o Pontífice finalizou sua fala convidando os jovens a olharem para os santos como testemunhas de verdadeira liberdade. “Juntamente com eles, sigamos adiante no caminho, sabendo que o verdadeiro melhor da vida não pode ser comprado com dinheiro nem conquistado com armas, mas pode ser doado, simplesmente, porque Deus doa a todos com amor”, concluiu.

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