Leão XIV divulga sua primeira mensagem para a Quaresma, orientando fiéis à prática do jejum verdadeiro e da escuta atenta a Deus e ao próximo
Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Papa em celebração eucarística no Líbano em 2 de dezembro de 2025 / Foto: Marek Ladzinski/ZUMA Press Wire via Reuters
Realizar as práticas da escuta e do jejum em uma dimensão comunitária, dando espaço para ouvir o outro. Este é o convite do Papa Leão XIV para a Quaresma deste ano, em sua mensagem divulgada pela sala de imprensa da Santa Sé nesta sexta-feira, 13.
“Escutar e jejuar. Quaresma como tempo de conversão” é o título da mensagem pontifícia, a primeira de Leão XIV para o tempo litúrgico. O Pontífice recorda que este é um período em que a Igreja convida a recolocar o mistério de Deus no centro, para que a fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e distrações do cotidiano.
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.: Íntegra da mensagem do Papa
A escuta
“Este ano gostaria de chamar a atenção, em primeiro lugar, para a importância de dar lugar à Palavra através da escuta, pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro.”, escreve o Papa.
A escuta da Palavra na Liturgia educa para uma escuta mais verdadeira da realidade, acrescenta o Pontífice. “Entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta.”
O jejum
Nesse sentido, Leão XIV destaca que uma prática concreta que predispõe para o acolhimento à Palavra de Deus é o jejum. Ele explica que a abstinência de alimentos é um exercício muito antigo e insubstituível no caminho da conversão. Trata-se de uma prática útil para discernir e ordenar os “apetites”, para manter vigilante a fome e a sede de justiça.
Citando Santo Agostinho, o Papa lembra que cabe aos homens ter fome e sede de justiça, mas ser saciado pertence à outra vida. Analisando desta forma, o jejum permite não só disciplinar o desejo, mas também ampliá-lo, de tal modo que se volte para Deus e se oriente para agir no bem. “No entanto, para que o jejum conserve a sua autenticidade evangélica e evite a tentação de envaidecer o coração, deve ser sempre vivido com fé e humildade”, ressaltou.
Considerando que o jejum deve incluir também outras formas de privação destinadas a um estilo de vida mais sóbrio, o Papa convida os fiéis a uma forma de abstinência concreta, mas pouco apreciada: a abstinência de palavras que atingem e ferem o próximo.
“Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias. Em vez disso, esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs. Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.”
A dimensão comunitária
Por fim, Leão XIV lembra que a Quaresma ressalta a dimensão comunitária da escuta da Palavra e da prática do jejum. Assim, as paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamadas a percorrer, na Quaresma, um caminho partilhado de escuta: tanto da Palavra de Deus quanto do clamor dos pobres.
“A conversão diz respeito não só à consciência do indivíduo, mas também ao estilo das relações, à qualidade do diálogo, à capacidade de se deixar interpelar pela realidade e de reconhecer o que realmente orienta o desejo, tanto nas nossas comunidades eclesiais como na humanidade sedenta de justiça e reconciliação.”
O pedido final do Papa é, então, por um “jejum que também passe pela língua”, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço para a voz do outro. “Comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor.”




