Em mensagem à Pontifícia Comissão Bíblica, por ocasião da Assembleia Plenária, Leão XIV convida a acolher Cristo, o único ‘médico capaz de curar as doenças da alma’
Da redação, com Vatican News

Papa Leão XIV / Foto: Remo Casilli – Reuters
O sofrimento daqueles que deixam sua casa e seu país, enfrentam a incerteza, muitas vezes arriscando a própria vida, em busca de uma vida digna em outro lugar; ou o daqueles que vivem diariamente à margem, nas zonas de sombra das periferias existenciais, é comparável ao daqueles que estão doentes, suportam dores físicas ou morrem. Cada um desses sofrimentos representa uma “oferta humilde” “em união com o sacrifício de Cristo”. Isso é esclarecido pelo Papa Leão XIV em uma mensagem dirigida à Pontifícia Comissão Bíblica, que se reúne a partir desta segunda-feira, 13, até sexta-feira, 17, em Assembleia Plenária, e terá como temas justamente o sofrimento e a doença e será intitulada “Uma exegese sensível ao drama dos sofredores”.
“Convido-vos a considerar, além da doença, da dor física e da morte, também os sofrimentos dos pobres, dos migrantes, dos últimos da sociedade, que estão presentes em tantas páginas da Sagrada Escritura.”
O homem e Deus unidos no mesmo sofrimento
Com o seu “Sacrifício” e com o seu “sofrimento redentor” — explica o Pontífice, citando a carta apostólica Salvifici doloris do Papa João Paulo II — Cristo “tornou-se participante de todos os sofrimentos humanos”: o homem e Deus compartilham e participam do mesmo sofrimento e contribuem para a mesma redenção, embora “a obra salvífica do único Redentor” já seja “perfeita, universal e sobreabundante”.
“Essa realização significa, isso sim, que cada sofredor se torna participante, ou seja, se envolva nessa obra e a expresse com as características únicas que brotam da própria história.”
A fé ilumina as questões sobre a morte e a doença
O Papa observa ainda que, muitas vezes, “também os crentes às vezes vacilam” diante das questões sobre o sentido da doença, do sofrimento e da morte. A fé, porém, reorienta a perspectiva dessas questões, transformando o momento de sofrimento em uma oportunidade de conversão.
“À luz da fé, sabemos, ao contrário, que a dor e a doença podem tornar a pessoa mais sábia e madura, ajudando-a a discernir na sua própria vida o que não é essencial para se voltar ou retornar ao Senhor. Extraímos essa visão de fé da Sagrada Escritura e da Tradição da Igreja.”
Nesse sentido, o Pontífice incentiva a Comissão a complementar a “pesquisa científica” com a “atenção às experiências comuns da vida”, de modo a esclarecer os aspectos mais complexos do “trabalho exegético” com a “Sabedoria da Palavra inspirada”.
O Evangelho documenta amplamente a atenção e a compaixão de Jesus para com os doentes, tão profundas que Cristo se identifica com eles.
A compaixão de Cristo para com todos aqueles que sofrem é tão envolvente que Ele se identifica com eles: «Estava doente e vocês me visitaram».
Uma solidariedade que une
O Mestre ordena aos seus discípulos que «cuidem dos doentes, imponham-lhes as mãos e os abençoem em seu nome». Uma solidariedade que aproxima quem a exerce de Deus e une os homens entre si. Através da experiência da fragilidade e da doença, também nós podemos e devemos aprender a caminhar juntos, na solidariedade humana e cristã, segundo o estilo de Deus, que é compaixão, proximidade, ternura, solidariedade.
Como o cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé e presidente da Pontifícia Comissão Bíblica, relatou ao Papa, a Comissão “está analisando diversas figuras de personagens bíblicos sofredores”: uma compilação de modelos que encorajará cada pessoa que sofre, transmitindo-lhe a luz do Ressuscitado.
Juntos, eles certamente se tornarão um belíssimo símbolo de esperança para todas as pessoas que unem seus sofrimentos ao Cristo crucificado, renovando a manifestação de seu rosto de amor.