Em audiência com membros do Instituto Nacional de Previdência Social da Itália, Leão XIV alertou para crescimento do número de pobres no mundo
Da Redação, com Vatican News

Foto: Alessia Giuliani/IPA/Sipa USA via Reuters Connect
Nesta sexta-feira, 10, o Papa Leão XIV recebeu em audiência os diretores e funcionários do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) da Itália. Em seu discurso, ressaltou o importante papel social e institucional que desempenham ao atender às necessidades de pessoas frágeis por meio de mecanismos de distribuição justa da riqueza.
“De modo geral, existe muita riqueza no mundo, mas o número de pobres continua aumentando”, sinalizou o Pontífice. “Milhões de pessoas em todo o planeta vivem na extrema pobreza e não têm acesso a alimentos, moradia, assistência médica, escola, eletricidade, água potável e serviços de saneamento essenciais. No entanto, há riquezas desproporcionais que permanecem nas mãos de poucos”, acrescentou.
O Santo Padre apontou que esta é uma situação injusta, diante da qual é preciso questionar-se e comprometer-se a promover mudanças. “Não existe um determinismo que nos condene à desigualdade”, afirmou, destacando que “a raiz das desigualdades não é a falta de recursos, mas a necessidade de enfrentar problemas solucionáveis relacionados à sua distribuição mais justa, a ser realizada com senso moral e honestidade”.
Magistério da Igreja
Segundo Leão XIV, a resposta às necessidades concretas das pessoas sempre esteve no centro das atenções da Igreja Católica, tanto no que diz respeito ao mundo do trabalho quanto à assistência aos necessitados. Ele citou a carta encíclica Rerum novarum, na qual seu antecessor, Leão XIII, frisa a importância da previdência e da assistência social para garantir que ao trabalhador nunca falte trabalho e que haja fundos disponíveis para socorrer cada um.
O Papa também mencionou a atenção da Igreja ao modelo do Estado de bem-estar social, presente nas cartas encíclicas de São João XXIII, Mater et Magistra e Pacem in Terris. Nelas, o direito ao bem-estar social é expressamente elevado à categoria de direito humano, como o direito “à segurança em caso de doença, invalidez, viuvez, velhice, desemprego e em qualquer outro caso de perda dos meios de subsistência por circunstâncias fora do controle de cada um”.
Na mesma linha magisterial encontram-se a Populorum Progressio, de São Paulo VI; a Laborem Exercens, a Sollicitudo Rei Socialis e a Centesimus Annus de São João Paulo II; e a Caritas in Veritate, de Bento XVI.
Chegando ao Papa Francisco, Leão XIV destacou a carta encíclica Fratelli tutti, onde o Estado de bem-estar social é elevado a um verdadeiro direito universal. Ele recordou que o modelo proposto por seu predecessor contempla um sistema de segurança solidário, baseado nos princípios da subsidiariedade, da responsabilidade social e da fraternidade humana, sempre com o objetivo de orientar as intervenções de bem-estar para permitir a todos uma vida digna através do trabalho.
Amar e servir o ser humano
O Pontífice recordou também o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, que indica que “o princípio da solidariedade exige que as pessoas do nosso tempo cultivem uma maior consciência da dívida que têm para com a sociedade em que vivem”. Tal dívida deve ser honrada em diversas manifestações de ação social.
“Nesse contexto, o INPS desempenha, sem dúvida, um papel fundamental na Itália”, sublinhou o Santo Padre. “O instituto concentra seu trabalho em diversas direções, implementando políticas previdenciárias generativas e um desenvolvimento social eficaz, começando pela proteção dos mais vulneráveis e pelo investimento nos jovens. Por isso, mesmo diante da necessidade de garantir a sustentabilidade do sistema, o seu compromisso deve estar sempre voltado também para salvaguarda do seu tecido solidário e da equidade”, complementou.
Ao concluir seu discurso, Leão XIV relembrou as palavras do Papa Francisco aos diretores e funcionários do INPS há pouco mais de dez anos, quando pediu a eles que não se esquecessem do ser humano: “amar e servir o ser humano com consciência, responsabilidade e disponibilidade. Trabalhar por quem trabalha e por quem gostaria de trabalhar, mas não pode. […] Apoiar os mais frágeis, para que a ninguém falte a dignidade e a liberdade de viver uma vida autenticamente humana”, expressou.




