Leão XIV enviou telegrama a participantes de fórum no norte da Itália que também contou com mensagem escrita pelo Cardeal Pietro Parolin
Da Redação, com Vatican News

Foto: Alessia Giuliani/IPA/Sipa USA via Reuters Connect
O Papa Leão XIV enviou um telegrama aos participantes do Fórum Internacional da Greenaccord, concluído neste sábado, 21. No texto assinado pelo secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, o Pontífice indica que a responsabilidade ecológica não se esgota em dados técnicos.
Segundo o Santo Padre, é preciso uma educação que envolva a mente, o coração e as mãos para gerar novos hábitos, estilos comunitários e práticas virtuosas. “Ao enfrentar juntos as crises atuais”, escreve, “é possível favorecer um ambiente social respeitoso e inclusivo, garantindo um futuro melhor para as novas gerações”.
Vocação permanente ao cuidado da Criação
O encontro que acontece em Treviso, no norte da Itália, conta com a participação do Cardeal Beniamino Stella. O prefeito emérito da então Congregação para o Clero leu uma intervenção do Cardeal Parolin sobre os 800 anos do Cântico das Criaturas e da morte de São Francisco de Assis.
“Se construir o futuro juntos é o nosso horizonte declarado”, explica Parolin, citando o tema do Fórum, “isso exige, antes de tudo, ‘atravessar o limiar’ e ‘entrar em uma casa nova’: condições sem as quais a proteção da criação corre o risco de oscilar entre a ideologização e o tecnicismo, entre a ênfase emocional e a frieza procedimental, entre a retórica edificante e uma gestão sem alma”.
O secretário de Estado reitera que esta data não deve ser apenas um aniversário a ser arquivado na memória, mas uma ocasião propícia para gerar inclusão e comunhão. “O Cântico não transmite apenas um sentimento da natureza”, indica, “ele oferece palavras humanas que dão vida a uma postura espiritual e intelectual que, ao afastar o humano de uma possível autoafirmação proprietária e predatória, o coloca em uma vocação permanente de cuidado”.
“Onde a Criação é ferida, a sociedade se fragmenta”
Segundo Parolin, o Cântico das Criaturas revela uma espiritualidade do diálogo e, portanto, uma “diplomacia das culturas” no sentido mais elevado. O grande desafio do tempo atual não é apenas a pressão sobre os ecossistemas, mas também a perda de confiança entre povos, gerações e comunidades.
Da mesma forma, o texto escrito por São Francisco de Assis também expressa que a paz com a terra e a paz entre os seres humanos são um único compromisso. “Onde a Criação é ferida, a sociedade se fragmenta; onde a dignidade é humilhada, a natureza se torna presa; onde a relação é corrompida, a técnica se transforma em um poder que separa”, destaca o secretário de Estado.
“Se o Cântico nos ensina a nomear o mundo como fraternidade e não como propriedade ou presa”, prossegue Parolin, “então ‘construir o futuro juntos’ nunca poderá ser apenas um objetivo operacional confiado ao fazer: deverá tornar-se um estilo da alma e das instituições, uma diplomacia da paz que começa na linguagem, se prova na colaboração e se verifica na proteção dos mais frágeis”.




