Amoris laetitia

Papa convoca bispos para encontro sobre a família em outubro

No aniversário de 10 anos da Exortação Apostólica Amoris laetitia, Papa convoca presidentes das Conferências Episcopais para discernir sobre transmissão do Evangelho às famílias de hoje

Da redação, com Boletim da Santa Sé

Foto: Marco Iacobucci SOPA Images via Reuters Connect

O Papa Leão XIV divulgou, nesta quinta-feira, 19, uma mensagem por ocasião dos 10 anos da Exortação Apostólica pós-sinodal Amoris laetitia. O documento do Papa Francisco, publicado em 19 de março de 2016, foi “resultado de três anos de discernimento sinodal sustentados pelo Ano Santo da Misericórdia”, oferecendo à Igreja uma “luminosa mensagem de esperança a respeito do amor conjugal e familiar”, afirmou o Pontífice. 

Neste décimo aniversário, Leão XIV agradece ao Senhor pelo “impulso dado ao estudo e à conversão pastoral da Igreja” em relação a temas ligados à família.

“Como ensina o Concílio Vaticano II, a família é ‘o fundamento da sociedade’, dom de Deus e ‘escola de valorização humana’. Por meio do Sacramento do matrimônio, os cônjuges cristãos constituem uma espécie de ‘Igreja doméstica’, cujo papel é essencial na educação e transmissão da fé”, destacou a mensagem.

Com o impulso conciliar e a Exortação Apostólica Familiaris consortio, de São João Paulo II, de 1981, e “tendo em conta ‘as mudanças antropológico-culturais'”, Papa Francisco “quis comprometer ainda mais a Igreja no caminho do discernimento sinodal”, como o fez durante a XIV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a família de 2015 ao exortar a uma “‘escuta recíproca’ no meio do povo de Deus”, salientando que não é “‘possível falar da família sem interpelar as famílias'”.

Os ensinamentos de Amoris laetitia

Leão XIV procurou elencar alguns “ensinamentos valiosos” da exortação de Francisco a serviço dos jovens, dos esposos e suas famílias que devem continuar sendo encorajados: a presença amorosa e misericordiosa de Deus inclusive diante de crises familiares; o convite para adotar ‘o olhar de Jesus’, estimulando incansavelmente o amor dentro de casa; o apelo a descobrir que o amor no matrimônio, real e limitado, ‘sempre dá vida’; a necessidade de criar novos caminhos pastorais e de reforçar a educação dos filhos, junto a uma Igreja que acompanha as famílias e procura promover a sua espiritualidade.

O Papa recordou que, durante o Jubileu da Esperança, teve a oportunidade de dizer aos jovens reunidos em Tor Vergata, em Roma, que “a fragilidade faz parte da maravilha que somos”.

“Não fomos feitos ‘para uma vida onde tudo é óbvio e parado, mas para uma existência que se renova constantemente no dom, no amor’. Para servir à missão de anunciar o Evangelho da família às novas gerações, temos de aprender a evocar a beleza da vocação ao matrimônio exatamente no reconhecimento da fragilidade, de modo a despertar ‘a confiança na graça’ e o desejo cristão de santidade”, destacou Leão XIV.

O Santo Padre agradeceu ao Senhor pelas famílias que, apesar das dificuldades e desafios, vivem ‘a espiritualidade do amor familiar, feita de milhares de gestos reais e concretos’. E agradeceu ainda aos pastores, agentes pastorais, associações de fiéis e movimentos eclesiais empenhados na pastoral familiar.

“Existem lugares e circunstâncias em que a Igreja ‘não pode tornar-se sal da terra’ senão através dos fiéis leigos e, em particular, das famílias. Por isso, o compromisso da Igreja neste campo deve ser renovado e aprofundado, para que aqueles que o Senhor chama ao matrimônio e à família possam viver o seu amor conjugal em Cristo e os jovens se sintam atraídos pela intensidade da vocação matrimonial na Igreja”, disse o Papa.

Convocação às Conferências Episcopais

Sob a intercessão de São José, guardião da Sagrada Família de Nazaré, Leão XIV fez uma convocação aos presidentes das Conferências Episcopais para se reunirem com ele em outubro.

“Considerando as mudanças que continuam a influenciar as famílias, decidi convocar, para outubro de 2026, os Presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo, a fim de proceder, na escuta recíproca, a um discernimento sinodal sobre os passos a dar na transmissão do Evangelho às famílias de hoje, à luz da Amoris laetitia e levando em conta o que se está a realizar nas Igrejas locais”.

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