Audiência no Vaticano

Papa a consagrados: dialogar com a sociedade sem ser absorvido por ela

Papa Leão XIV encoraja consagrados a sempre promover a comunhão e a cultivar o carisma para “permanecer fiel à fonte original”

Da Redação, com Vatican News

A imagem ilustra o Papa Leão XIV com suas habituais vestes pontifícias, de perfil e um leve sorriso.

Foto: Alessia Giuliani/Hans Lucas via Reuters

Em audiência com os consagrados e consagradas do Regnum Christi, nesta quinta-feira, 29, o Papa Leão XIV propôs três pontos de reflexão em seu discurso: Cultivar o carisma para “permanecer fiel à fonte original”, administrar o “governo” através de um “discernimento comunitário” e promover sempre a “comunhão”.

A Sociedade de Vida Apostólica “Consagradas do Regnum Christi” é uma sociedade de direito pontifício, aprovada pela Santa Sé. Os leigos consagrados deram início à sua assembleia geral no dia 25 de janeiro, e a assembleia das consagradas acontece desde 12 de janeiro, em Roma.

O carisma nas novas situações sociais

Em seu discurso, o Papa destacou que o carisma é precisamente “um dom do Paráclito”, é a maneira pela qual o Espírito “revive” a vida da Igreja e “dinamiza a missão”. É isso que confere, ao Instituto ou à Sociedade de Vida Apostólica, a sua “identidade específica”, “que qualifica e torna reconhecível a presença de vocês na Igreja e no mundo”.

“Hoje, mais do que nunca, é necessário saber quem somos, se queremos dialogar de forma autêntica com a sociedade sem sermos absorvidos ou homologados por ela.”

Leão XIV citou seu predecessor, o Papa Francisco, que em um discurso aos participantes da Assembleia Geral do Movimento dos Focolares, em 6 de fevereiro de 2021, encorajou a “permanecer fiel à fonte original, esforçando-se por repensá-la e expressá-la em diálogo com as novas situações sociais e culturais”. É precisamente a “energia carismática” que deve “animar a missão que vocês realizam e iluminar o caminho a percorrer”.

Decisões alimentadas pelo discernimento comunitário

“Para isso”, continuou o Pontífice, é importante que “o governo” da Sociedade, chamado a “iniciar processos decisórios maduros”, se desenvolva em um “clima de autêntico discernimento”: para fazer isso, ele precisa de “comunhão”. O “discernimento” comunitário é o ambiente ideal no qual as decisões amadurecem, o que, por sua vez, fortalece a comunhão.

“Um governo autenticamente evangélico, aliás, está sempre orientado ao serviço: sustenta, acompanha e ajuda cada membro a configurar-se cada dia mais à pessoa do Salvador e, nesse sentido, o discernimento comunitário é o lugar privilegiado onde podem amadurecer decisões compartilhadas, capazes de gerar comunhão e corresponsabilidade.”

É preciso encontrar “um estilo próprio no Exercício da autoridade” capaz de abrir novos “caminhos” que “fortaleçam o sentido de pertença”, acrescentou Leão XIV. Por isso, encorajou novamente o Papa, “não tenham medo de experimentar novos modelos de governo”.

Promover uma “comunhão profunda”

Se as decisões de governo amadurecem na “comunhão”, continuou o Pontífice, cada membro da Sociedade tem a tarefa de contribuir para alimentá-la.

“Vocês são chamados a promover uma comunhão cada vez mais profunda em toda a família, compartilhando espiritualidade e apostolado, vivendo plenamente a vocação específica à qual Deus os chamou como membros da Sociedade à qual pertencem.”

Leão XIV, citando a exortação apostólica de São João Paulo II, Vita consecrata, de 1996, lembrou que “todos são chamados à santidade; todos cooperam na edificação do único Corpo de Cristo, cada um segundo a própria vocação e o dom recebido do Espírito”. A “comunhão orgânica na diversidade”, sublinhou ainda o Bispo de Roma, é “obra do Espírito Santo”: uma força “fiel” e inesgotável que “transforma cada vocação em serviço aos outros” e faz crescer na história “o Corpo de Cristo” para que “cumpra a sua missão no mundo”.

“Somos todos vidas em caminho, às quais Deus continua a inspirar os seus sonhos através dos profetas de ontem e de hoje, para libertar a humanidade das antigas e novas escravidões, envolvendo jovens e idosos, pobres e ricos, homens e mulheres, santos e pecadores nas obras da sua misericórdia e nas maravilhas da sua justiça.”

Ao final do discurso, Leão XIV convidou os consagrados e as consagradas do Regnum Christi a confiar a Maria, Estrela da Manhã, a “nossa resposta” aos dons surpreendentes de Deus, que “ainda nos surpreende e se faz encontrar, por caminhos que não são os nossos”.

As Assembleias Gerais de Regnum Christi

O Capítulo e as Assembleias do Regnum Christi são órgãos de governo, convocados a cada seis anos. Cada um deles é precedido por reflexões comunitárias e assembleias territoriais e pelas votações para a eleição dos delegados e capitulares.

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