Pesquisa ouviu mais de 60 mil pessoas em 60 países diferentes, que destacaram a imagem positiva do Pontífice e sua atuação diplomática no cenário global
Aline Imercio
De São Paulo

Foto: Vatican Media/IPA/Sipa USA via Reuters
O Papa Leão XIV é o líder global com imagem mais favorável do mundo. O dado foi revelado pela pesquisa End Of Year Survey, realizada pela instituição internacional Gallup. O estudo ouviu mais de 60 mil pessoas em 60 países diferentes.
A estas pessoas, foi perguntado qual era a visão delas sobre os principais líderes globais, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o primeiro-ministro chinês Xi Jinping, o presidente da Rússia, Vladimir Putin e o Papa Leão XIV. A resposta foi que o único líder com saldo positivo foi o Papa, com 49% de aprovação.
A equipe do Jornalismo Canção Nova conversou com Fabián Echegaray, diretor da Market Analysis, representante da Gallup, sobre como foi feita a pesquisa e quais foram as principais conclusões. Confira:
Como essa pesquisa foi realizada?
Fabián Echegaray – Esse estudo vem sendo feito há mais de 30 anos, em mais de 60 países e inclui o Brasil. E em cada país há uma amostra de aproximadamente mil adultos, são quase 60 mil entrevistados, em todos os continentes, que opinam sobre tópicos relevantes para a agenda pública. Um deles sendo a popularidade de diferentes líderes internacionais. Junto com o Papa estão alguns dos presidentes com maior impacto global. E a gente constrói esse comparativo e acompanha ao longo do tempo.
De longe, o Papa Leão XIV é o que mais se sobressai, com quase 50% de aprovação na média de todos os países
Na pesquisa, há um índice de aprovação, reprovação e uma média de cada líder, certo?
Fábian Echegaray – Isso. E de longe o Papa Leão XIV é a figura mais popular, mais respeitada dentre o conjunto de líderes, sobre os quais sondamos a opinião. Obviamente, não dá para perguntar sobre cada presidente, de cada país, porque seria uma pesquisa infinita.
Então, dentre os principais, a gente pergunta sobre o presidente dos Estados Unidos, nesse caso, Donald Trump, presidente da Rússia, Vladimir Putin, o presidente da China, XI Jinping, presidente da Índia, Narendra Modi, e pela relevância para a política internacional, para a agenda local, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. E a gente faz a consulta em termos de aprovação dessas autoridades e figuras públicas: você diria que tem uma opinião muito favorável, mais favorável do que desfavorável? Não tão favorável ou muito desfavorável?
De longe, o Papa Leão XIV é o que mais se sobressai, com quase 50% de aprovação na média de todos os países. No Brasil, um pouquinho mais baixo, 46%, mas essa diferença é pouco significativa, está em linha com o que aconteceu nos outros países. E o segundo em popularidade é o presidente dos Estados Unidos, Trump, só que há uma distância de 20 pontos, ele tem apenas 30% de aprovação.
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O que os senhores acham que faz o Papa ter essa popularidade e esse índice positivo também?
Fábian Echegaray – Tem muito a ver com o clima dos tempos, né? O que a gente percebe nas diferentes pesquisas é um cansaço, um reconhecimento de que as sociedades estão divididas, estão polarizadas, que não se entendem, que não é apenas as elites distanciadas da sociedade, do povo, do público, mas dentro da própria sociedade, que tem brigas, cismas, brechas e lacunas muito, muito profundas. E há um anseio de superação disso.

Fabián Echegaray / Foto: Reprodução TV Canção Nova
E é interessante porque é justamente aqueles que demonstram maior grau de otimismo, perante o futuro, perante a evolução da economia e da ordem mundial, esses mais otimistas, aqueles que enxergam maior prosperidade ao invés de dificuldade, ou um mundo mais pacífico, ao invés de um mundo mais belicista, eles tendem a dar um apoio muito mais forte ao Papa do que aqueles que são pessimistas.
Então volto a ratificar: essa noção de mensagem de esperança, mensagem de união, de comunhão está sendo simbolizada pela figura papal.
Outros papas também se destacaram nessa pesquisa, ao longo do tempo?
Fábian Echegaray – Não foi sempre, porque alguns papas foram atravessados por diferentes conflitos. Mas com certeza na última década, o Papa Francisco, de longe, ajuda a turbinar essa popularidade da figura papal e apresentá-la como um instrumento de pacificação e de integração, a mensagem de inclusão. Da mesma maneira, a mensagem pró ambiental e a circulação que ele teve por diferentes geografias, principalmente no mundo subdesenvolvido, que é onde de fato, a popularidade dos papas, no geral, tende a ser mais forte. A gente nota que na América Latina, na África e na Ásia ocidental, é onde a figura do Papa é mais popular e consagra maior favorabilidade.
O que o senhor acha que significa essa posição do Papa perante aos líderes globais?
Fábian Echegaray – Eu acredito que seja uma mensagem interessante. Num mundo no qual as figuras políticas apostem em se eleger em comícios, a construir e a mobilizar a sociedade a partir da ira, das suposições, da raiva. A figura que de longe se sobressai é aquela que, em vez de dividir, tende a unir. Então, é um recado importante sobre a longevidade, a consistência, a estabilidade de uma popularidade construída acima, de acirrar os conflitos versus o consenso que favorece uma figura de concordância e harmonia, como nesse caso que é representado pelo Papa.




