Na Vígília Pascal, Papa destaca que “o homem pode matar o corpo, mas a vida do Deus do amor é vida eterna, que vai além da morte e que nenhum túmulo pode aprisionar”
Da redação, com Boletim da Santa Sé

Foto: marco iacobucciIPA/Sipa USA via Reuters Connect
“Esta Noite Santa derruba os poderosos, dissipa os ódios, estabelece a concórdia e a paz”, afirmou o Papa Leão XIV em sua homilia da Vigília Pascal deste sábado, 4, na Basílica São Pedro, no Vaticano.
O Santo Padre explicou que esta é uma “Vigília repleta de luz”, e é a mais antiga da tradição cristã, conhecida como “a mãe de todas as vigílias”. “Nela revivemos o memorial da vitória do Senhor da vida sobre a morte e sobre os infernos. Fazemo-lo depois de ter percorrido, nos últimos dias, como numa única grande celebração, os mistérios da Paixão do Deus que por nós se fez ‘alguem cheio de dores’ (Is
53, 3), ‘menosprezado e desconsiderado’ (ibid.), torturado e crucificado.”, destacou.
Leão XIV afirmou que o Ressuscitado é o próprio Criador do universo que, tal como nos primórdios da história “nos deu a existência” a partir do nada, “assim também na cruz, para nos mostrar o seu amor sem limites, nos deu a vida”.
Deus não abandonou o homem
Comentando a primeira leitura, com o relato das origens (cf. Gn 1,1), que narra a criação do mundo e do ser humano, o Papa explicou que, mesmo quando o homem pecou e não correspondeu ao Projeto de Deus, o Senhor não o abandonou, mas revelou-lhe, no perdão, o seu rosto misericordioso.
“‘Esta noite santa’ tem, portanto, as suas raízes também ali onde se consumou o primeiro fracasso da humanidade, e estende-se ao longo dos séculos como um caminho de reconciliação e de graça”.
O Papa explicou que a liturgia propôs algumas etapas desse caminho através das leituras bíblicas lidas nesta celebração. “Em todos estes momentos da história da salvação, vimos como Deus, face à dureza do pecado que divide e mata, responde com o poder do amor que une e restitui a vida”.
Sepulcros para abrir com a ajuda de Deus
Ele destacou o relato da Ressurreição lido no Evangelho de hoje. As mulheres foram ao sepulcro, esperavam encontrá-lo fechado, com os soldados de vigia, mas não se intimidaram e puseram-se a caminho.
“Foram ao sepulcro e, graças a sua fé e ao seu amor, foram as primeiras testemunhas da Ressurreição. No terremoto e no anjo, sentado sobre a pedra derrubada, viram o poder do amor de Deus, mais forte do que qualquer força do mal, capaz de ‘dissipar os ódios’ e ‘derrubar os poderosos’. O homem pode matar o corpo, mas a vida do Deus do amor é vida eterna, que vai além da morte e que nenhum túmulo pode aprisionar”.
O Santo Padre recordou que, nos dias de hoje, “não faltam sepulcros para abrir” e muitas vezes as pedras parecem inamovíveis, porém lembrou que muitos homens e mulheres, com a ajuda de Deus, removeram-nas.
“Não se trata de personagens inacessíveis, mas de pessoas como nós que, fortalecidas pela graça do Ressuscitado, na caridade e na verdade, tiveram a coragem de falar, como diz o Apóstolo Pedro, ‘para transmitir palavras de Deus’ (1 Pd 4, 11) e de agir ‘com a força que Deus lhe concede, para que em todas as coisas Deus seja glorificado”.
“Deixemo-nos inspirar pelo seu exemplo e, nesta Noite Santa, façamos nosso o seu empenho, para que, em todo o lado e sempre, cresçam e floresçam no mundo os dons pascais da concórdia e da paz”, finalizou a homilia.




