RESPOSTA AOS JORNALISTAS

"Continuo a falar contra a guerra, busco promover a paz", declara Papa

Papa saudou jornalistas durante voo de ida para Argel nesta segunda-feira, 13; a pedido dos presentes, comentou declarações feitas contra ele por Donald Trump

Da Redação, com Vatican News

A imagem ilustra o Papa Leão XIV dentro de um avião, segurando um microfone com a mão direita.

A pedido dos jornalistas a bordo, Papa comentou declarações feitas contra ele por Donald Trump / Foto: Alberto Pizzoli/Pool via Reuters

Durante o voo de ida para Argel, primeira etapa da viagem apostólica à África que teve início nesta segunda-feira, 13, o Papa Leão XIV saudou cada um dos cerca de 70 jornalistas que o acompanharam a bordo e respondeu algumas perguntas. Entre elas, uma resposta à fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Pontífice.

Em uma rede social, o líder estadunidense criticou o Santo Padre, chamando-o de “fraco no combate ao crime” e “terrível na política externa”. Além disso, disse que o Pontífice “deveria se recompor” e “focar em ser um grande Papa — não um político”, pois isso “está prejudicando a Igreja Católica”.

Em resposta aos jornalistas, Leão XIV afirmou não ver o seu papel como o de um político. “Não sou um político, eu não quero entrar em um debate com ele”, expressou. “Não penso que a mensagem do Evangelho deva ser deturpada como alguns estão fazendo. Eu continuo a falar com força contra a guerra, buscando promover a paz, promovendo o diálogo e o multilateralismo com os Estados para encontrar soluções aos problemas”, acrescentou.

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“Não tenho medo do governo de Trump”

O Papa sinalizou que a mensagem que ele faz questão de frisar é “sempre a mesma: a paz”. “Digo isso para todos os líderes do mundo, não apenas para ele: tentemos acabar com as guerras e promover a paz e a reconciliação”, sublinhou.

A uma jornalista dos Estados Unidos, o Pontífice reiterou: “eu não tenho medo do governo de Trump. Continuarei falando com voz forte sobre a mensagem do Evangelho, aquela pela qual a Igreja trabalha”.

“Nós não somos políticos”, prosseguiu o Santo Padre, “não olhamos para a política externa com a mesma perspectiva. Mas acreditamos na mensagem do Evangelho como construtores de paz”.

Promoção da paz na África

É justamente a construção da paz o objetivo fundamental da viagem apostólica à África, que passará por Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial. A primeira etapa da visita está profundamente ligada a Santo Agostinho, cujo carisma marcou a vida religiosa de Leão XIV.

A oportunidade de visitar os locais da vida do bispo de Hipona é, segundo o Papa, uma bênção para ele, para a Igreja e para o mundo. “Devemos sempre buscar pontes para construir a paz e a reconciliação”, observou. Nessa perspectiva, a viagem apostólica representa uma oportunidade para continuar com a mesma voz e a mesma mensagem de promoção da paz e da reconciliação, bem como o respeito e a consideração por todos os povos.

Da África à Espanha

Muitos foram os presentes entregues pelos jornalistas ao Pontífice. Entre livros, desenhos, cartas e um pequeno ícone de Nossa Senhora do Bom Conselho, o presente de uma jornalista espanhola destacou-se por unir, de forma simbólica, a atual viagem apostólica do Santo Padre à próxima, que terá justamente a Espanha como destino.

Trata-se de um fragmento de um dos inúmeros “cayucos”, nome dado às embarcações rudimentares com as quais os migrantes africanos deixam o seu país para desembarcar perto de La Restinga, na ilha de El Hierro. Neste que é o ponto mais ao sul da Espanha, somente em 2025 chegaram mais de 10 mil pessoas, quase tantas quanto os habitantes da ilha, que são pouco menos de 12 mil.

A rota das ilhas Canárias é considerada uma das mais perigosas do mundo, com pessoas no mar por pelo menos uma semana. A região será visitada pelo Santo Padre ao final da viagem apostólica à Espanha, que acontecerá entre 6 e 12 de junho.

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