Pontífice celebrará as Vésperas no local onde Jorge Mario Bergoglio exerceu seu ministério como arcebispo da capital argentina
Julia Beck
Da Redação

Catedral Metropolitana de Buenos Aires, marcada pela história de Francisco e pela visita de Leão XIV /Fotos: Claudio Marzorati/Governo da Argentina; REUTERS/Yara Nardi; IMAGO Catholicpressphoto via Reuters
Uma igreja que atravessa séculos da história argentina e guarda marcas da trajetória de Jorge Mario Bergoglio antes de sua eleição como Papa Francisco estará entre os locais visitados por Leão XIV durante sua viagem apostólica à Argentina. No dia 9 de novembro, o Pontífice irá à Catedral Metropolitana da Santíssima Trindade, em Buenos Aires, onde celebrará as Vésperas. A celebração está marcada para as 18h45 e reunirá o episcopado argentino e as equipes sinodais. Após as Vésperas, Leão XIV participará de um jantar com os bispos no Arcebispado de Buenos Aires.
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Localizada no encontro da Avenida Rivadavia com a rua San Martín, a Catedral remonta à própria fundação de Buenos Aires. Em 1580, Juan de Garay destinou o terreno para a construção da igreja principal da cidade. O edifício atual é o sexto erguido no local. Após o desabamento do templo anterior, em 1752, a igreja definitiva foi projetada, em 1754, pelo arquiteto Antonio Masella. O edifício possui três naves e importantes capelas laterais. Já a fachada atual foi projetada em 1822 pelo francês Próspero Catelin, em estilo neoclássico.
A parte superior da fachada possui representação do reencontro do patriarca Jacó com seu filho José, ornamentação realizada entre 1860 e 1863 por José Dubourdieu. No interior, destacam-se ainda o altar-mor, obra de Isidro de Lorea, a imagem de Nossa Senhora das Dores e o Santo Cristo de Buenos Aires, do século XVII. Em 1942, a Catedral foi declarada Monumento Histórico Nacional.

Detalhes da arquitetura interna da Catedral Metropolitana de Buenos Aires /Fotos: Luis Picarelli/ Governo da Argentina
Parte da história argentina na Catedral

Mausoléu do general José de San Martín, na Catedral Metropolitana de Buenos Aires/ Foto: Josefito123 via Wikimedia Commons
A Catedral Metropolitana também abriga o mausoléu do general José de San Martín. Seus restos mortais, repatriados em 1880, foram depositados no local durante a presidência de Nicolás Avellaneda. O sepulcro está localizado na Capela Nossa Senhora da Paz, na nave direita da Catedral. O mausoléu, obra do escultor francês Albert-Ernest Carrier-Belleuse, foi construído com mármores em tonalidades rosadas e negras.
O local mantém ainda uma ligação com uma instituição criada pelo próprio San Martín: o Regimento de Granadeiros a Cavalo. Integrantes do regimento fazem a custódia permanente do mausoléu.
De Bergoglio a Leão XIV
Além de seu valor histórico e religioso, a Catedral está diretamente ligada à trajetória de Francisco. Jorge Mario Bergoglio assumiu como arcebispo de Buenos Aires em 28 de fevereiro de 1998 e permaneceu à frente da arquidiocese até sua eleição como Papa, em 13 de março de 2013. Atualmente, a Catedral abriga um espaço destinado a conservar e difundir a memória da evangelização na Arquidiocese de Buenos Aires, com uma homenagem especial à passagem pastoral do então Cardeal Jorge Mario Bergoglio.
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Ao recordar a trajetória de Francisco, o teólogo e missionário digital argentino Agustín Podestà destaca a devoção de Bergoglio a Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina. “Bergoglio tinha uma fé muito grande por ela”, afirma o teólogo. Segundo Podestà, a devoção a Nossa Senhora de Luján ocupa um lugar particular na vida de fé dos argentinos. “A Virgem de Luján reúne a fé popular do povo e molda os corações”, destaca.
Para o teólogo, o pontificado de Francisco também deixou marcas na forma como parte da população passou a se relacionar com a própria identidade católica. Ao recordar sua experiência pessoal, Podestà afirma ter percebido, nos anos posteriores à eleição do Papa argentino, “um renascimento de um sentimento católico” no país. Na avaliação do missionário, a contribuição de Francisco para a Igreja universal também repercutiu entre seus conterrâneos. “O aporte do Papa Francisco para a Igreja universal, no nosso país, fez com que ressurgisse o catolicismo”, avalia.
A devoção mariana mencionada por Podestà também estará presente no itinerário de Leão XIV. Dois dias depois de sua passagem pela Catedral Metropolitana, em 11 de novembro, o Pontífice celebrará, às 10h, uma Missa na praça da Basílica de Nossa Senhora de Luján.

Cardeal Jorge Mario Bergoglio durante celebração na Catedral Metropolitana de Buenos Aires, em 8 de abril de 2004 /Foto: Luis Paz/La Nacion/ZUMAPRESS.com via Reuters




