Em sua reflexão durante o momento de oração promovido neste sábado, 11, Leão XIV clamou por fim das guerras e enfatizou força da oração
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV durante a vigília de oração pela paz realizada neste sábado, 11 / Foto: Alessia Giuliani/IPA/Sipa USA via Reuters
Atendendo ao convite do Papa Leão XIV, milhares de fiéis se reuniram na Basílica de São Pedro (e também na Praça São Pedro) para participar da vigília de oração pela paz realizada neste sábado, 11.
Antes de iniciar o momento de oração, o Pontífice deu as boas-vindas e fez uma saudação “muito fraterna” e calorosa a todos. “Todos nós temos a paz em nossos corações. Que a paz reine verdadeiramente em todo o mundo e que sejamos nós os portadores dessa mensagem. Deus nos escuta, Deus nos acompanha”, expressou.
Com palavras improvisadas, o Santo Padre afirmou que, “unidos na oração do Santo Rosário, pedindo a intercessão de nossa Mãe, Maria, queremos dizer ao mundo inteiro que é possível construir a paz, uma paz nova, que é possível viver juntos, com todos os povos, de todas as religiões, de todas as raças, que queremos ser discípulos de Jesus Cristo unidos como irmãos e irmãs, todos unidos em um mundo de paz”.
“A esperança une”
Após o início da vigília, Leão XIV voltou a dirigir-se aos fiéis. Falando sobre a oração do terço, que é marcada pelo ritmo regular e pela repetição, o Papa frisou que “assim a paz vai ganhando espaço: palavra após palavra, gesto após gesto, como uma pedra que gota a gota se fura”.
“A guerra divide, a esperança une”, prosseguiu o Pontífice”. A prepotência oprime, o amor eleva. A idolatria cega, o Deus vivo ilumina. Caríssimos, basta um pouco de fé, uma migalha de fé, para enfrentarmos juntos, como humanidade e com humanidade, este momento dramático da história”, salientou.
O Santo Padre também enfatizou que a oração ensina os fiéis a agirem. Nela, as limitadas possibilidades humanas unem-se às infinitas possibilidades de Deus. “Pensamentos, palavras e obras rompem, assim, a cadeia demoníaca do mal e colocam-se ao serviço do Reino de Deus: um Reino onde não há espadas, nem drones, nem vinganças, nem banalização do mal, nem lucro injusto, mas apenas dignidade, compreensão e perdão”, disse.
Leão XIV apontou que a oração é uma barreira contra o delírio de onipotência que se torna cada vez mais imprevisível e agressivo. “Os equilíbrios na família humana estão gravemente desestabilizados. Até mesmo o Santo Nome de Deus, o Deus da vida, é arrastado para os discursos de morte”, pontuou.
Responsabilidade
O Papa ressaltou que quem reza não mata nem ameaça com a morte, mas tem consciência dos próprios limites. “Em vez disso, é escravo da morte aquele que virou as costas ao Deus vivo, para fazer de si mesmo e do próprio poder o ídolo mudo, cego e surdo”, afirmou. “Basta com a idolatria de si mesmo e do dinheiro! Basta com a ostentação da força! Basta com a guerra! A verdadeira força manifesta-se no serviço à vida”, complementou o Santo Padre.
Recordando São João XXIII, o Pontífice enalteceu as “vantagens da paz” que beneficiam toda a comunidade humana. Neste contexto, pediu a união das forças morais daqueles que acreditam na paz e optam por ela e frisou a responsabilidade “inalienável” dos governantes das nações para que impeçam a guerra por meio do diálogo.
Leão XIV também pediu aos fiéis que se comprometam a seguir em oração para invocar a paz. Ele exortou todos a voltarem para casa com esse compromisso de rezar sempre, sem desanimar, e de uma profunda conversão do coração. “A Igreja é um grande povo ao serviço da reconciliação e da paz, que vai em frente sem titubear, mesmo quando a rejeição da lógica bélica lhe pode custar incompreensão e desprezo”, concluiu.




