Em audiência com participantes de plenária do Dicastérios para os Leigos, a Família e a Vida, Leão XIV abordou aspectos e desafios para formar novos cristãos na fé
Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Foto: cottonbro studio via Pexels
Nesta sexta-feira, 6, o Papa Leão XIV recebeu em audiência os participantes da assembleia plenária do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. Em seu discurso, destacou a importância de temas como a formação cristã e os encontros mundiais promovidos pelo dicastério, que estão no cerne do trabalho desenvolvido.
Fixando-se no primeiro tema, o Santo Padre recordou as palavras de São Paulo aos Gálatas, quando o apóstolo escreveu: “Meus filhos, por vós sinto, de novo, as dores do parto, até Cristo ser formado em vós” (Gl 4,19). Leão XIV pontuou que a formação cristã relaciona-se com o gesto de “dar vida”, mesmo com dor, para conduzir o discípulo a uma união vital com o Senhor.
O Papa também citou o trecho da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios em que o apóstolo escreveu: “mesmo que tenhais milhares de educadores em Cristo, não tendes muitos pais. Pois fui eu que, pelo anúncio do evangelho, vos gerei no Cristo Jesus” (1Cor 4,15).
O Pontífice reconheceu que, por vezes, na Igreja, a figura do educador, empenhado em transmitir instruções e competências religiosas, prevaleceu sobre a do pai, capaz de gerar fé. “No entanto, a nossa missão é muito mais elevada”, pontuou, “pelo que não podemos limitar-nos a transmitir uma doutrina, uma observância, uma ética, mas somos chamados a compartilhar o que vivemos, com generosidade, amor sincero pelas almas, disponibilidade a padecer pelos outros, dedicação sem reservas, como pais que se sacrificam pelo bem dos filhos”.
Vida cristã em comunidade
O Santo Padre destacou então um outro aspecto da formação cristã: a dimensão comunitária. “Assim como a vida humana é transmitida graças ao amor de um homem e de uma mulher”, sinalizou, “também a vida cristã é transmitida pelo amor de uma comunidade”.
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Segundo Leão XIV, gerar fé não é algo realizado por um padre, um catequista ou um líder carismático, mas a Igreja unida, viva, composta por famílias, jovens, solteiros, consagrados – pessoas desejosas de serem fecundas e transmitirem a todos, sobretudo às novas gerações, a alegria e a plenitude de significado que vivem e experimentam.
“O que faz nascer nos pais o desejo de dar a vida aos filhos não é a necessidade de ter algo, mas a vontade de oferecer, de compartilhar a superabundância de amor e alegria que os habita, e é aqui que também cada obra de formação encontra as suas raízes”, frisou o Papa.
Dimensões da formação cristã
O Pontífice lembrou que, após ressuscitar, Jesus aparece aos apóstolos e os envia para fazer discípulos entre todos os povos, batizando-os e ensinando-os a observar os seus mandamentos. (Mt 28,19-20). Este mandato missionário, observou, resume outros elementos fundamentais da missão do formador.
O primeiro deles é a promoção de percursos de vida constantes, envolventes e pessoais, que conduzam ao Batismo e aos sacramentos – ou à sua redescoberta –, pois sem eles não há vida cristã. Em seguida, está a ajuda àqueles que empreendem uma jornada de fé a amadurecer e preservar um novo modo de vida, que abrange todas as áreas da existência.
O Santo Padre também mencionou como indispensável o fomento nas comunidades aos aspectos educativos que visem ao respeito pela vida humana em todas as suas fases, em particular aqueles que contribuem para a prevenção de todas as formas de abusos de menores e pessoas vulneráveis, bem como para o acompanhamento e apoio às vítimas.
Diante desses aspectos, Leão XIV sinalizou que a arte de formar não é fácil e não pode ser improvisada. “Ela requer paciência, escuta, acompanhamento e averiguação, tanto a nível pessoal como comunitário, e não pode prescindir da experiência e da convivência com quantos a viveram, para aprender e seguir o exemplo”, enfatizou.
Encerrando seu discurso, o Papa encorajou os presentes a seguirem em frente com o seu trabalho. “Os desafios que enfrentais, às vezes podem parecer superiores às vossas forças e recursos. Mas não deveis desanimar! Começai pelo mais pequeninos, seguindo na fé a lógica evangélica do ‘grão de mostarda’, confiantes de que o Senhor nunca vos deixará faltar, no momento oportuno, as energias, as pessoas e as graças necessárias.”, concluiu.




