Francisco

"O serviço é a alma da fraternidade", diz Papa em mensagem para dia Mundial da Paz

“Fraternidade, fundamento e caminho para a paz” é tema da mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz

Daniel Machado, da Redação

Foto: Clarissa Oliveira/CN-Roma

Foto: Clarissa Oliveira/CN-Roma

Foi divulgada, nesta quinta-feira (12), a primeira mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz, celebrado no dia 1º de janeiro de 2014, com o tema “Fraternidade, fundamento e caminho para a paz”.

Em sua mensagem, o Sumo Pontífice recordou que “a fraternidade é uma dimensão essencial do homem”. Ele ainda lembrou que sem a dimensão fraterna entre os povos “se torna impossível a construção de uma sociedade justa, de uma paz firme e duradoura”. A mensagem ainda aborda temas atuais como o fenômeno da globalização, a paz, a guerra, a pobreza, o crime organizado, a economia e o relacionamento do homem com a natureza.

::Confira, na íntegra, a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz

O Papa iniciou sua mensagem dizendo que “a família é a fonte de toda a fraternidade”, e, “por vocação, deve contagiar o mundo com o seu amor”. Utilizando-se da figura bíblica de Caim, o Santo Padre recordou que “a humanidade traz inscrita em si uma vocação à fraternidade”, assim como “a possibilidade dramática da sua traição”.

Segundo o Pontífice, o egoísmo diário e a indiferença para com o próximo são a base de muitas guerras e injustiças, e que “muitos homens e mulheres morrem pelas mãos de irmãos e irmãs que não sabem se reconhecer como tais”.

“Quem aceita a vida de Cristo e vive n’Ele reconhece Deus como Pai e a Ele Se entrega totalmente, amando-O acima de todas as coisas. O homem reconciliado vê em Deus o Pai de todos e, consequentemente, é solicitado a viver uma fraternidade aberta a todos”, diz Francisco.

Pobreza e economia

Em sua mensagem, o Pontífice recordou que a fraternidade é premissa para vencer a pobreza e cobrou políticas que garantam a todos direitos básicos como emprego e educação. Sobre economia, o Papa alertou que as diversas crises econômicas que assolam o mundo “têm a sua origem no progressivo afastamento do homem de Deus e do próximo, com a ambição desmedida de bens materiais e o empobrecimento das relações interpessoais e comunitárias”.

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Paz e guerra

“Ao longo do ano que termina, muitos de nossos irmãos e irmãs continuaram vivendo a experiência dilacerante da guerra, a qual constitui uma grave e profunda ferida infligida à fraternidade”, disse o Pontífice, que, citando seus predecessores Paulo VI e João Paulo II, reafirmou: “A paz é um bem indivisível: ou é um bem de todos ou não o é de ninguém”. Em sua mensagem, Francisco ainda faz um forte apelo ao desarmamento.

Corrupção e crime organizado

Segundo o Santo Padre, o egoísmo individual também é a fonte de toda corrupção e de toda organização criminosa. Ele fez duras críticas àqueles que lucram com as drogas, com o tráfico de seres humanos, o crime, os abusos contra menores entre outros. “Essas organizações ofendem gravemente Deus, prejudicam os irmãos e lesam a criação, revestindo-se de uma gravidade ainda maior se têm conotações religiosas”, diz o Pontífice.

Fraternidade e relação com a natureza

Segundo o Papa, a criação de Deus está à disposição do homem para que ele a administre com responsabilidade e amor, pensando no bem comum e nas futuras gerações. “É mais do que sabido que a produção atual é suficiente, e, todavia, há milhões de pessoas que sofrem e morrem de fome, o que constitui um verdadeiro escândalo. Por isso, é necessário encontrar um modo para que todos possam se beneficiar dos frutos da terra”, disse o Pontífice.

O Sumo Pontífice concluiu sua mensagem exortando os homens a se voltarem para a sua condição transcendente, pois “quando falta esta abertura a Deus, toda a atividade humana se torna mais pobre, e as pessoas são reduzidas a objetos passíveis de exploração”. Ele termina dizendo que “o serviço é a alma da fraternidade que edifica a paz”.

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