A Universidade Federal de Minas Gerais liderou o ranking nacional de depósitos de patentes no ano passado. Pesquisas que saem dos laboratórios, se transformam em inovação e ajudam a levar soluções concretas para a sociedade
Reportagem de Léo Apolinário e Daniel Camargo
Victor faz doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais. Filho de produtores rurais. O engenheiro conhecia de perto os desafios do combate aos incêndios em áreas agrícolas e decidiu transformar essa realidade em tema de pesquisa.
Entre estudos e experimentos, desenvolveu uma solução inédita. “Foi aí então que eu percebi que o uso da terra sendo lançado em alta velocidade pelo equipamento soprador de folhas poderia ser uma solução mais eficiente”, contou o engenheiro mecânico e doutorando, Victor Hugo Leite Pereira.
Pesquisas como a desenvolvida por Victor ajudam a colocar a instituição em destaque no cenário nacional de patentes.
As inovações desenvolvidas transformam o conhecimento científico em soluções para desafios da sociedade. “Nós trabalhamos com teste de combustíveis alternativos. combustíveis verdes, nanocatalisadores que buscam redução de emissões, de poluentes, que está no dia a dia da gente, no dia a dia da sociedade, que é deixar o ar mais limpo, deixar mais tempo de futuro para as próximas gerações”, apontou o professor de Engenharia Mecânica na UFMG, Oscar Sandoval.
Segundo o ranking de depositantes 2025, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Propriedade Industrial, a UFMG foi a universidade brasileira que mais registrou pedidos de patente em 2025. Foram 95 depósitos, um novo recorde para a instituição, superando a marca de 92 pedidos registrada em 2016.
O incentivo à inovação começa ainda nos laboratórios. É nesse ambiente que muitas ideias ganham forma e podem se transformar em tecnologias com potencial de impacto para a sociedade. “Nós recebemos projetos de alunas e alunos de doutorado e pós-doutorandos que têm o suporte do laboratório para desenvolver protótipos funcionais avançados”, disse o professor e coordenador da LIPS UFMG, Eduardo de Campos Valadares.
Mas até que uma patente seja depositada, é preciso percorrer um longo caminho.
O processo envolve análise e etapas técnicas até que a invenção receba proteção legal. “O resultado dessas pesquisas pode gerar uma patente. A gente tem ali toda uma estrutura para auxiliar os pesquisadores a elaborar o documento, a patente e depois, promover o depósito lá no INPI. Uma vez transferido, isso pode ser explorado, gerando o desenvolvimento econômico, científico, tecnológico, que vai trazer benefício para sociedade”, completou o professor Diretor Núcleo de Inovação UFMG, Rudolf Huebner.




