MINERAÇÃO

Riqueza natural impulsiona economia de cidade do sul de Minas

São Thomé das Letras possui monumentos naturais de grande valor para a cidade

Além do turismo, a economia de São Thomé das Letras, no sul de Minas Gerais, é baseada na mineração. As pedras encontradas em toda a Serra das Letras são a principal matéria-prima do município, e motivam a ocupação local há mais de 200 anos.

Reportagem de Emerson Tersigni e Messias Junqueira

 

Beleza e durabilidade. Duas definições para um dos tesouros da humanidade que só existe no sul de Minas Gerais. 

Estas são as Pedras São Thomé, chamadas assim justamente por estarem no território de São Thomé das Letras. E sabe o que o Tomé tem a ver com a pedra, além do nome? O ofício de assentador, referência na cidade. “Uma coisa que a gente carrega, pro resto da vida é o padroeiro nosso e eu sinto assim como ele ser meu padrinho. Eu pus o nome de padrinho. É muito gratificante esse filho, da terra”, contou o assentador Tomé Nunes. 

Todo o município é calçado por esta pedra. Dificilmente você terá contato com bloquetes, paralelepípedos e asfalto tradicional. Isso porque a cidade foi edificada em meio a uma montanha de quartzito, rocha sedimentar, que dá origem àquilo que chamamos de Pedra São Tomé.Muita gente tira daqui o seu sustento. 

“O material é ele é processado, tipo, às vezes você fica 10, 15 dias para tu tirar uma caixa ou duas caixas de material. Aí vai depender muito do processo do banco. A gente fala sobre o banco é é isso aqui em torno. Então se tiver bom, igual eu te mostrei agora aqui com veia, aí ele vai ser um processo mais rápido. Agora se não tiver aí que eu falei que entra o maquinário, entram essas coisas para tirar pra pessoa manualmente vir retirar esse material que vai sair nesse processo aqui. É um trabalho cansativo, um trabalho demorado, E um trabalho que tem que saber fazer porque senão não consegue fazer. E é um trabalho único”, explicou o colaborador na extração de pedras, Rodrigo Nascimento. 

Até a gruta que deu origem à devoção ao apóstolo São Tomé é composta por este material. E quando sabemos dos bastidores das construções por todo canto… “Aqui foi feito pedra sobre pedra. Não tem, não tem massa, não tem cimento, não tem nada nela. É só a pedra mesmo. Ela tem que ser feita da base até em cima. A parede tem que ser larga no mínimo 40 cm que tem que ser a parede. Vai subindo ela e vai travando, não tem perigo de cair.

Pode fazer até dois andares um em cima do outro que não tem, não precisa de coluna, nada, que ela é bem reforçada”. 

Quem vê a Igreja Matriz de São Thomé das Letras por fora não imagina o desafio para construí-la há mais de 200 anos. E ao subir as escadas que dão acesso aos sinos da Paróquia São Thomé, na torre, é possível notar a presença das pedras São Tomé em sua edificação, dispensando o tradicional cimento.

“As pedras são apenas encaixadas umas sobre as outras, utilizando a força da gravidade e o travamento entre as pedras. A gente tem pedras gigantescas que os escravizados no século XVIII foram capazes de colocar”. 

Elemento natural não só presente na vida do letrense, mas responsável por influenciar diretamente o modo de viver nestas terras. “A cidade que nós temos hoje surge a partir da extração e da venda da Pedra São Thomé. A Pedra São Tomé sustentou muitas famílias, sustentou a minha casa através dos meus pais. A Pedra São Tomé, ela foi capaz de construir a cidade que nós temos hoje, que é a nossa cidade São Tomé das Letras”.

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

↑ topo
Skip to content