FRAUDES BANCÁRIAS

Processo do Banco Master pode deixar o STF e seguir para a 1ª instância

Caso envolve autoridades e reforça debate sobre fiscalização

Desde novembro, sócios e gestores do Banco Master são investigados pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal. Duas empresas do grupo tiveram as atividades suspensas pelo Banco Central, em apurações que envolvem operações financeiras sob suspeita.

Reportagem de Francisco Coelho e Ersomar Ribeiro

 

As irregularidades no Banco Master foram alvo da operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. Os investigadores indicaram que a instituição realizava operações fraudulentas e praticava crimes contra o sistema financeiro nacional. 

Entre as operações suspeitas do banco está a comercialização de certificados de depósito bancário, os CDBs. A modalidade permite a venda de dívidas bancárias para os clientes que em troca recebem juros relativos aos empréstimos. Mas o Banco Master repassava esses produtos sem ter de fato recursos para honrar com os pagamentos. Na semana passada, a Will financeira, outra empresa do grupo Master, também teve as operações encerradas diante de suspeitas de irregularidades. 

O Banco de Brasília, o BRB, é citado nas investigações. A Polícia Federal aponta o ex-diretor Paulo Henrique Costa como responsável pela aquisição de títulos considerados fraudulentos do Banco Master. O BRB chegou a anunciar a compra do Máster, mas a operação foi interrompida pelo Banco Central. Daniel Vorcaro, ligado ao grupo, mantém relações com autoridades, políticos e outras personalidades. 

O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal em razão da menção a um deputado federal, mas ministros do STF discutem o desmembramento do processo e o envio de parte das apurações à instância inferior.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, afirmou ter indicado o ex-ministro Ricardo Lewandowski como consultor do banco. Já o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes mantinha contrato com o grupo empresarial. “Também tá surgindo outras questões até de investigação, possivelmente de crimes. E também mais recentemente a gente teve até uma manifestação de ninguém menos que o TCU dizendo que ‘olha, pode ter sido precipitada, vamos investigar’. Então, de fato, está sendo um processo aqui lato senso muito complexo, envolvendo muitos agentes”, falou o advogado, Henrique Arake. 

Na segunda-feira, o Supremo Tribunal Federal iniciou os depoimentos de oito investigados entre sócios do Banco Máster e ex-diretores do BRB. As apurações seguem sob sigilo por determinação do ministro relator Dias Toffoli.

O economista reforça a necessidade de fortalecer os mecanismos de controle e fiscalização do sistema financeiro. “O Banco Central é xerife da instituição financeira. Então ele não liquida imediatamente porque ele acompanha, tem um prazo de acompanhamento para ver a solvência. Existe algumas alternativas de mercado. O que nós vemos é que esse andar de investimentos acaba sendo uma teia de aranha que acaba cobrindo todos esses setores e muitas vezes se privilegia das falhas de controle”, concluiu o economista, Cesar Bergo.

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