MORTES SUSPEITAS

No DF, 3 técnicos de enfermagem são investigados por mortes em UTI

Polícia apura suspeita de aplicação intencional de substâncias letais em hospital

Reportagem de Aline Campelo e Ersomar Ribeiro

Em momentos de internação em uma UTI, o tempo parece desacelerar para quem espera do lado de fora. Familiares confiam o bem mais precioso que possuem: a vida de quem amam. Em Taguatinga, no Distrito Federal, a Polícia Civil investiga a morte de três pacientes internados na UTI atribuída a três técnicos de enfermagem.

Entre novembro e dezembro de 2025, três pacientes morreram em circunstâncias atípicas, enquanto estavam internados na UTI de um hospital particular. Segundo a investigação, três técnicos de enfermagem teriam aplicado substâncias letais diretamente na veia das vítimas. 

“Existem elementos convincentes de que o técnico de enfermagem se passou pelo médico, entrou, ele entrou no sistema que estava aberto, no sistema que faz a prescrição dos medicamentos no hospital por duas vezes e se passando pelos médicos, ele prescreveu esse medicamento”, disse o delegado da Polícia Civil(DF), Wisllei Salomão. 

O sacerdote, mestre em Psicologia Social e do Desenvolvimento Humano, explica que dentro da bioética, esse tipo de crime pode ser classificado como mistanásia. “A mistanásia é o que a gente viu agora é a morte precoce e infeliz sem o consentimento da pessoa”, falou padre Marcelo Costa. 

As ações teriam sido registradas por câmeras de segurança e também por informações dos prontuários médicos que fazem parte das provas analisadas pela Polícia Civil. As vítimas eram pacientes da UTI desse hospital com diferentes idades e perfis. João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor público. Miranilde Pereira da Silva, de 75, professora aposentada, e Marcos Moreira, de 33 anos, era carteiro e servidor público. 

Os três técnicos de enfermagem investigados, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, Amanda Rodrigues de Souza, de 28, e Marcela Camille Alves da Silva, de 22, foram demitidos pelo hospital e estão presos.

O mestre em Psicologia destaca que além da responsabilidade profissional e humana, é fundamental garantir assistência e acolhimento às famílias de pacientes internados. “A parte da saúde trabalha muito, é um trabalho multidisciplinar, o paciente que está ali sendo cuidado, mas também a família que se envolve com o doente e acaba adoecendo também.

Cabe à pastoral, cabe aos profissionais de saúde ter o mesmo cuidado com os pacientes, com os familiares do paciente”, ressaltou o padre. 

Em nota, o hospital informou que acionou as autoridades competentes assim que tomou conhecimento do caso. Já o Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal, responsável pela fiscalização do setor, disse que acompanha o caso e avalia possíveis implicações éticas e profissionais.

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