SAÚDE MENTAL

Janeiro Branco: campanha propõe paz e equilíbrio para a saúde mental

Psicólogas reforçam os cuidados com a saúde mental e dizem que perder equilíbrio faz parte de uma vida saudável – segredo é a assertividade nas escolhas

Thiago Coutinho
Da redação

Uma mulher com semblante triste aparece sentada em uma cadeira enquanto outra mulher está agachada em seu lado dando-lhe um afago nos braços em sinal de consolo

“Paz. Equilíbrio. Saúde Mental” é o lema da campanha Janeiro Branco deste ano / Foto: Drazen Zigic por Freepik.com

Refletir sobre como tem sido a saúde mental. Este é o lema da campanha Janeiro Branco, que este ano traz como tema “Paz. Equilíbrio. Saúde Mental”. Cuidar de problemas que podem levar a transtornos mentais é algo que se faz necessário: dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) em relatórios como “Saúde Mental Mundial Hoje” e “Atlas da Saúde Mental 2024”, apontam que 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo.

“A campanha resume o bem-estar emocional das pessoas no dia a dia, no trabalho, na família, na carreira. Então, paz é uma sensação interna de segurança, de acolhimento com si mesmo, o equilíbrio, a capacidade de organização, do descanso, da organização de áreas de vida, do autocuidado”, explica a psicóloga Franciele Mota.

Por outro lado, Vanessa Ferreira, psicóloga que atua junto a uma unidade do Centro de Atenção Psicossocial (CAPs), ressalta que perder, por vezes, o equilíbrio pode, de certa maneira, colocar a vida no eixo. “Não podemos criar falsas ilusões que iremos para a psicoterapia, ou tomar algum remédio e nunca mais vamos nos desequilibrar”, observa. “Paz absoluta não existe, somos humanos, o importante é, de cabeça fria, decidir o que vale mais a pena, lutar por uma causa ou esquecer a causa e ficar em paz e também fazer as pazes com a escolha feita. O que ficou no passado, ficou”.

Equilíbrio, uma meta difícil

Em um mundo cada vez mais conectado e acelerado, alcançar o equilíbrio é um elemento que, paradoxalmente, tornou-se difícil de ser atingido. “Entendo que equilíbrio nunca foi fácil de ser alcançado”, concorda Vanessa. “A humanidade passou e passa por muitos desafios, guerras, depressões financeiras, preconceitos que eram normalizados, a tecnologia é apenas um dos desafios da nossa sociedade, mas a conexão da tecnologia é parcial”.

Vanessa alerta para a falsa impressão de que as redes sociais, por exemplo, mostram o que as pessoas são. “Muitas vezes perdemos a compreensão de que aquilo é uma fatia e não o todo”, afirma. “Estamos o tempo todo competindo e nos questionamos por que fulano conquistou tal coisa e eu não consigo. As redes sociais fazem com que olhemos mais para os outros que para nós mesmos, estamos numa eterna competição quando, na verdade, deveríamos olhar para dentro e tentar atingir o nosso potencial”.

“Vivemos uma realidade de muitas demandas”, lembra Franciele. Para a psicóloga, as pessoas têm acumulado funções demais e isso gera uma “realidade de sobrevivência”, como classifica. “Acabamos não encontrando o equilíbrio em fazer as coisas com calma, com pausas. E isso dificulta o equilíbrio, sobra pouco espaço ‘para mim’, falta autocuidado”.

Paz interior negligenciada

Quando a paz interior é negligenciada, o corpo passa a apresentar diversos sinais, além dos comportamentais. “O melhor remédio para a angústia não se vende em farmácia”, destaca Vanessa. “É preciso tirar um tempo para si, parar, respirar e tentar compreender de onde esse sentimento está vindo, o que está acontecendo na minha vida que não está legal e que eu preciso fazer uma mudança. Isso tem ficado cada vez mais difícil pois o mundo hoje nos oferece solução rápida para muitas coisas e aí queremos tomar um remédio que anestesie esse desconforto, mas não existem atalhos na busca da saúde mental”, assegura.

“Damos sinais o tempo todo, como sempre digo aos meus pacientes”, diz Franciele. “Tensões, dores de cabeça, muito ou pouco sono, enxaqueca, desânimo, damos sinais, mesmo sutis. O corpo fala antes da nossa mente desabafar. E, quando fingimos não enxergar, o esgotamento mental vem com tudo e acaba se tornando um transtorno mental”, pondera.

Como cultivar a paz em 2026

Para além do debate teórico, as duas psicólogas apontam estratégias simples e diárias que as pessoas podem adotar em 2026 para cultivar essa ‘paz’ proposta pelo tema da campanha.

“São atividades simples e complexas ao mesmo tempo”, diz Vanessa. “São coisas muito simples também do nosso dia a dia, é você ter esse autocuidado, se tornar responsável pela sua saúde mental, criar estratégias de descanso, de pausas, estabelecer limites entre família, entre relações sociais, trabalho, poder dizer que agora não, não posso, não ser sempre muito permissivo”, recomenda Franciele.

Vanessa acrescenta que pode ser um processo doloroso. É importante se questionar sobre o porquê de tanta tristeza, ansiedade ou angústia. “Depois de descobrir essas respostas, é hora de decidir o que fazer com a informação”, indica.

A busca pela paz, segundo Vanessa, não é sinônimo de passividade. “Precisamos estar em busca da assertividade, fazer ou falar a coisa certa para a pessoa certa, no momento certo. Isso sim traz paz. Não somos robôs, não conseguiremos sempre. O desequilíbrio faz parte de vida equilibrada”, finaliza.

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