Espaço litúrgico

Igreja na Amazônia: CNBB propõe projetos arquitetônicos sustentáveis

Proposta surgiu após bispos relatarem dificuldades para construir espaços litúrgicos em regiões da Amazônia Legal

Julia Beck,
Da redação 

/Foto: Divulgação

Pedidos de ajuda diante da dificuldade em construir espaços litúrgicos. Estes foram os pontos de partida do “Projeto Espaço Litúrgico para a Amazônia” da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A proposta, que será apresentada às dioceses locais neste ano pela Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB, surgiu em 2014, de acordo com padre Thiago Faccini, assessor do Setor Espaço Litúrgico.

Segundo o sacerdote, os pedidos de ajuda partiram de bispos e missionários que relataram dificuldades de construir espaços litúrgicos em determinadas regiões da Amazônia Legal. “O projeto consiste em propor um esboço de espaços celebrativos com materiais alternativos e ecológicos, que venham de encontro com diversas necessidades e realidades da região”, explicou padre Thiago.

Padre Thiago Faccini/ Foto: Arquivo CNBB

Desde a primeira reunião, o sacerdote comemora a adesão dos vários membros da Igreja no Brasil em destinar um olhar de carinho para as comunidades da Amazônia Legal. Segundo documento de 2016, padres e bispos veem realizando um processo de aproximação e escuta de regionais e dioceses que enfrentam realidades de ausência de espaços litúrgicos.

Além das questões arquitetônicas, o projeto prioriza também a disposição do espaço celebrativo e a valorização dos elementos fundamentais que o constituem: Altar, Ambão, Cadeira da Presidência e Assembleia. O conforto ambiental também foi assegurado como essencial. O sacerdote revelou que uma cartilha formativa está sendo produzida.

“Ela explica o sentido de cada elemento que constitui o espaço celebrativo, dando sugestões de como as próprias comunidades podem organizar seus espaços”, revelou padre Thiago acerca da cartilha. O documento é dividido em: projeto, elementos fundamentais do espaço celebrativo e seu detalhamento, projeto executivo e detalhamento de obra, e projeto de arquitetura de interiores.

As estratégias para viabilizar o projeto, aplicadas desde 2017, incluem, segundo o assessor do Setor Espaço Litúrgico, a parceria com a Comissão da CNBB para a Amazônia, a realização de visitas programadas de arquitetos da equipe de reflexão do Setor Espaço Litúrgico a dioceses da Amazônia e o convite a arquitetos e demais profissionais cristãos para que assumam a missão de contribuir com a Igreja na Amazônia. “Estamos dando passos!”, comentou o sacerdote que contou que a proposta já possui duas sugestões dadas por arquitetos do sul do país: a implantação de igrejas de bambu, e a de igrejas pré moldadas ou modulares.

Projeto dos arquitetos Maria Inês Bolson e Nery Auler da Silva para a construção de igrejas de bambu/ Foto: Divulgação

“O papel do Setor de Espaço Litúrgico da CNBB, a princípio, é incentivador e articulador, aproximando comunidades e profissionais (arquitetos, artistas…). Convidamos os profissionais que estão disponíveis em colaborar com a realidade das comunidades amazônicas, a serem missionários através de seu trabalho, pensando e desenvolvendo projetos que venham de encontro com os anseios e necessidades daquele povo”, revelou padre Thiago.

Segundo o sacerdote, podem colaborar todos os profissionais que trabalham com espaço litúrgico, empresários e pessoas que queiram ajudar a financiar algum dos projetos. “As dioceses da Amazônia Legal podem manifestar o desejo em acolher o projeto, enviando e-mail ao setor de Espaço Litúrgico (espacoliturgico@cnbb.org.br) onde estaremos prontamente disponíveis a ouvir as necessidades e fazer os encaminhamentos necessários”, informou.

Padre Thiago considera a proposta importante para que padres e bispos coloquem em prática o discipulado e a missão de maneira concreta, indo ao encontro dos mais necessitados: “Assim, conhecendo a realidade do outro, nos tornamos mais humanos e fraternos. Faz parte da identidade da Igreja e do ser cristão”.

Ele acredita que o projeto também vai ao encontro do pontificado do Papa Francisco: “Ele [Papa] nos pede essa sensibilidade de sairmos do nosso comodismo, da nossa área de conforto, e olharmos para os mais necessitados”.

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