Veja exemplos de mãs dispostas a levar esperança a recém nascidos
Maio é o mês de incentivo à doação de leite humano. Um gesto simples, mas que ajuda a salvar a vida de milhares de bebês prematuros e recém-nascidos internados em UTIs neonatais. Em Belo Horizonte, os bancos de leite reforçam a importância da solidariedade das mães que estão amamentando.
Reportagem de Vanessa Anicio e Daniel Camargo
Pequenas gotas que representam cuidado, proteção e esperança. Desde janeiro, Fernanda faz da rotina da maternidade também um gesto de solidariedade. A cada doação, ela vê no leite armazenado uma forma de cuidado e amor ao próximo.
“Eu sempre assemelho a maternidade como o amor de Deus Que a gente tem que dar e doar o melhor de si. Eu tenho uma produção de leite muito boa. Aí o meu bebê, ele ficava satisfeito, então ficava muito leite sobrando, acabava que desperdiçava. Eu falei: ‘Ah, por que não doar?’”, recordou a empreendedora, Fernanda Maria Jesus.
O Brasil possui a maior rede de bancos de leite humano do mundo, reconhecida internacionalmente. São cerca de 239 bancos em funcionamento no país, com a maior concentração na região Sudeste, com 96 unidades.
Segundo o Ministério da Saúde, 1 litro de leite pode alimentar até 10 recém-nascidos por dia. Dados recentes da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano disponibilizados pela Fiocruz mostram que de 2000 a 2025 a rede contabilizou mais de 3 milhões de mulheres doadoras, beneficiando aproximadamente 4 milhões de recém-nascidos. Além de ajudar no desenvolvimento dos bebês, o leite humano contribui na prevenção de infecções, alergias e outras complicações.
“O leite humano, ele é específico para recuperar esses bebês, para ajudar na proteção imunológica. Então ele contém proteínas, nutrientes”, explicou a coordenadora BLH Hospital Sofia Feldman, Cíntia Ribeiro.
O leite doado passa por um rigoroso processo de controle de qualidade que inclui etapas de seleção, classificação e pasteurização, antes de ser distribuído com segurança aos bebês internados em unidades de terapia intensiva neonatal.
“Nós temos uma equipe, são as técnicas de enfermagem, que vão até o domicílio, pegam esse leite, trazem esse leite pro banco de leite humano para ele passar para o processo de pasteurização. Durante o momento que a equipe vai à casa da mãe, ela ensina para essa mulher como armazenar, como fazer a extração, é um ato muito seguro, muito saudável. E quanto mais a mulher faz a extração desse leite, mais ela produz”, afirmou a especialista.
Com a alta demanda de recém-nascidos que dependem do leite humano, os estoques muitas vezes não conseguem suprir a necessidade. Por isso, os bancos de leite reforçam o pedido por novas doadoras.
“À medida que esses bebês vão crescendo, o volume que eles precisam receber aumenta.
Então, a gente tem dificuldade de conseguir atender toda essa demanda de bebês internados no ambiente de neonatologia”, completou ela.
“Faça a doação nas condições que você tem, se tem pouco, se tem muito. O importante é estar abençoando outras vidas”, concluiu Fernanda.




