TELECOMUNICAÇÃO

Fim dos orelhões marca o encerramento de uma era da telefonia pública

Encerramento do serviço resgata lembranças de gerações

Os telefones de Uso Público, popularmente conhecidos como orelhões, estão presentes na história dos brasileiros e foram uma verdadeira revolução na comunidade do país. Mas essa história está chegando ao fim, os aparelhos ainda restantes serão gradualmente desativados.

Reportagem de Flavio Rogério e Antonio Matos

 

Pelas ruas da capital paulista é fácil encontrar alguém que tem alguma história para contar sobre os famosos orelhões. “Cheguei aqui em 96. Era o que eu mais utilizava na época. Todos os domingos eu ligava pra minha mãe. Ela já estava esperando o orelhão lá, porque lá já na minha cidade tinha”, contou a dona de casa, Maria Lucia e Silva. 

Mas também existem aqueles mais jovens que têm pouca familiaridade com o aparelho. “O que que eu me recordo disso é aqueles cartões, os cartões que eram vendidos. Nunca tinha uma pessoa que eu ligava, porque geralmente usava o telefone fixo para ligações para pessoas”, comentou o autônomo, Murilo Henrique Coelho.  

Em todo o Brasil ainda existem cerca de 38.000 orelhões em funcionamento. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações, a grande maioria, cerca de 28.000, estão em São Paulo. Esses aparelhos foram uma grande revolução na comunicação brasileira no início da década de 70.

“Eu vejo isso como processo revolucionário de transformação da sociedade. Então, essa comunicação muda completamente as relações, as relações profissionais e as relações familiares”,ressaltou o professor de sociologia da Universidade Mackenzie, Wesley Santana. 

Em dezembro de 2025, as concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos orelhões foram encerradas. Portanto, elas não terão mais obrigação legais de mantê-los. Os aparelhos serão gradualmente desativados. “As empresas assumiram compromissos de manutenção da oferta dos serviços de voz, incluindo os orelhões, até 31 de dezembro de 2028 nas localidades em que não há outro serviço substituto ofertado por outras prestadoras”, informou o gerente de Controle de Obrigações de Universalização e de Ampliação do Acesso da Anatel, Marcos Carozza.

Para o historiador e sociólogo, as tecnologias precisam facilitar e não dificultar a comunicação entre as pessoas. “Incrível que pareça, hoje a comunicação é muito mais fácil e paradoxo, as pessoas ficam mais ansiosas, querem imediatismo”, retomou Wesley.

Para a geração daqueles que se acostumaram com os orelhões nos espaços públicos, ficará a saudade e a memória de histórias vividas. “Minha mãe trabalhava e eu ficava em casa e aí eu precisava falar com ela. Eu sempre ia no barzinho pegar a fichinha para ligar para ela do orelhão. Era o único jeito de me comunicar com ela”, lembrou a cidadã.

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