SAÚDE

Estudo mostra riscos do Omeprazol quando usado sem orientação médica

Uso indiscriminado pode comprometer a saúde

Você costuma utilizar remédios para dores no estômago sem prescrição médica? Uma recente pesquisa analisou o uso prolongado de um dos mais conhecidos deles, o omeprazol. O estudo acende um alerta sobre os riscos da ingestão indiscriminada deste medicamento.

Reportagem de Aline Imercio e Antonio Matos

Sempre que a dor de estômago chega, dona Maria recorre ao omeprazol e sem orientação médica. “E às vezes você toma um remédio, um antibiótico, qualquer coisa, dá uma queimação de estômago. Aí você toma e melhora. Hoje eu compro a conta própria. O médico nunca receitou, também eu nunca pedi”, disse a aposentada, Maria das Graças Quintana.

“Infelizmente é um medicamento que é usado muito por conta própria. Às vezes você generaliza aquele problema de estômago no tratamento dos omeprazol em geral”, falou o farmacêutico, Paulo Zanata. 

Um remédio que parece inofensivo, mas é alvo de muitos pesquisadores. Um dos medicamentos mais utilizados para as dores de estômago, o Omeprazol, foi tema de uma pesquisa publicada recentemente. O estudo sugere que o uso prolongado e sem orientação pode trazer sequelas na absorção de minerais e na saúde óssea. 

O estudo sobre os chamados inibidores de bomba de prótons foi conduzido pela Universidade Federal de São Paulo e da Faculdade de Medicina do ABC. Na primeira fase, o estudo analisou a ação do omeprazol em ratos por 10, 30 e 60 dias.“A gente testou ferro, cálcio, zinco, magnésio, cobre e potássio. Isso nos faz concluir que o uso prolongado da bomba de próton, dos inibidores de bomba de próton, ele pode distribuir de maneira diferente esses íons”, explicou o docente do ICAQF/ Unifesp, Fernando Luiz Affonso Fonseca. 

Com a absorção prejudicada dos nutrientes, o estudo indicou a possível associação ao desenvolvimento de algumas doenças. “Um dos problemas associados à osteoporose é a distribuição do cálcio. Se eu tô interferindo na absorção do ferro, eu posso estar a longo prazo provocando uma anemia por deficiência de ferro”, retomou ele. 

O estudo alerta e reforça que esses medicamentos sejam utilizados com acompanhamento médico. Para este gastroenterologista, a classe a que pertence o Omeprazol é importante para alguns tratamentos. “Ele é um aliado. Ele tem que ser utilizado sobretudo em pacientes que têm o uso de muitos medicamentos e vão ter uma gastrite medicamentosa. Pacientes que têm risco de sangramento digestivo gástrico e pacientes que têm esofagite severa. Mas o ideal é ter um bom gastro perto de você, não tomar da própria cabeça ou porque uma vizinha toma ou porque alguém da família usa”, enfatizou o cirurgião do aparelho digestivo, Marcon Censoni.

Com diagnóstico de refluxo, Daiesy utiliza o pantoprazol há alguns meses com orientação médica. “Eu faço sempre acompanhamento, eu faço check up de ano em ano para saber como é que estão, está tudo bem”, concluiu a aposentada, Daiesy Castilho Gonçalves.

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