Confederação Nacional da Indústria diz que os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos são cada vez mais sentidos pela indústria brasileira
Começou a valer a nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros. A alegação de Washington é de que o Brasil adota práticas comerciais desleais. Com o novo imposto, economistas e empresários alertam para o risco de prejuízos bilionários e até demissões no setor produtivo nacional.
Reportagem de Sidinei Fernandes e Gilberto Pereira
A partir de hoje, os navios que saem dos portos brasileiros em direção aos Estados Unidos carregam uma conta muito mais cara. A nova tarifa de 25% atinge setores estratégicos como madeira, alumínio, etanol, máquinas e principalmente a indústria de calçados. Os americanos compram um em cada cinco sapatos exportados pelo Brasil.
“Não são produtos de prateleira, portanto você não tira do mercado americano e tem outro cliente para comprar dentro do comércio internacional. São mercados com produtos tipificados, ou seja, desenvolvidos para aquelas características. O maior prejuízo econômico é a possibilidade de você ter desemprego e dificuldades financeiras para essas empresas”, analisou o economista, Gilberto Braga.
A Confederação Nacional da Indústria afirma que os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos são cada vez mais sentidos pela indústria brasileira. De acordo com a CNI, 20 das 27 unidades da Federação reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre deste ano. E diante da nova taxação, o cenário é cada vez mais preocupante.
“Não existe hoje algum outro mercado que vá suprir essa quantidade vendida hoje para os Estados Unidos”, citou o presidente do Sindifranca, Toni Hajel.
Com a alta dos impostos, o setor calçadista já revisou a estimativa do ano e prevê uma queda de mais de 7% nas vendas externas. “Por termos um produto de boa qualidade, boa parte desse produto vai pro mercado norte-americano, mas nós já estamos traçando algumas estratégias para caso essas tarifas permaneçam, a gente possa continuar trabalhando da melhor forma possível”, completou o diretor comercial na Indústria de Calçados, Carlos Filho.
O Governo Brasileiro vai oferecer apoio aos setores atingidos.




