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Artigo - Doutrina Social

A "Encíclica Laudato Si" e o cuidado com a casa comum

Encíclica do Papa Francisco chama a uma “conversão ecológica” e um compromisso internacional em torno da questão ambiental

Padre Antonio Aparecido Alves*

“Que o ensinamento desta encíclica chegue a bom termo, porque a Terra, nossa irmã, não pode mais esperar”, diz especialista em Doutrina Social da Igreja / Foto: Reprodução CTV

A Encíclica Laudato Si’ e o cuidado com a casa comum

Há exatamente dois anos o Papa Francisco apresentava ao mundo a Carta Encíclica Laudato Si’ sobre o cuidado da casa comum. O título deste documento remete ao Cântico das Criaturas, de São Francisco de Assis, onde o santo louva o Criador pelas belezas da natureza.

Este documento foi recebido com apreço pela opinião pública internacional e saudado como uma “encíclica verde”, isto é, uma encíclica que trataria de questões ligadas à ecologia.

No entanto, o Papa Francisco fez questão de enfatizar que essa é uma encíclica social, porque fala da questão ambiental enquanto relacionada com a questão social. Aqui está a grande contribuição dessa reflexão, isto é, o nexo profundo entre as agendas social e ambiental, pois tanto a experiência comum da vida cotidiana como a investigação científica demonstram que os efeitos mais graves de todas as agressões ambientais recaem sobre as pessoas mais pobres (LS 48).

Por isso, Paz, Justiça e Conservação da criação são três questões absolutamente ligadas e que não se podem se separar (LS 92).

A razão instrumental

A origem deste comportamento predatório para com a natureza pode ser encontrada nos inícios da idade moderna. Neste período tem-se o nascimento do espírito científico, tendo contribuído para isso pensadores como Galileu Galilei (1564-1662) e Francis Bacon (1561-1622).

O primeiro postulou como importante para a ciência as propriedades dos corpos, como forma, quantidade e movimento, que podem ser medidas e quantificadas. O segundo, por sua vez, modificou o revolucionou a investigação científica, ao postular que o conhecimento tem a finalidade de dominar e controlar a natureza, assim como o macho domina a fêmea.

A concepção de mundo muda radicalmente a partir disto, resultando em uma razão instrumental. A noção de um universo orgânico, vivo e espiritual é substituído pela ideia do mundo como um relógio, que funciona com cada parte independente e que é necessário desmontar para compreender.

Aliás, essa metáfora do relógio para se referir à natureza foi desenvolvida por duas grandes figuras, René Descares (1596-1650) e Issac Newton (1643-1727). Temos, então, o novo paradigma científico moderno: “conhecer para transformar”.

A Laudato Si’ e a questão ambiental

A Doutrina Social da Igreja afirma que na origem da questão ambiental está a pretensão da humanidade de exercer um domínio incondicional sobre as coisas, através de uma exploração inconsiderada dos recursos da criação.

Na encíclica Laudato Si’, o Papa Francisco chama esse comportamento de “antropocentrismo despótico”, isto é, uma incorreta interpretação do mandamento do Criador no livro do Gênesis ao homem e mulher de “dominar a terra”. Contra esse tipo de comportamento baseado em uma razão instrumental, o Papa Francisco afirma na Encíclica Laudato Si’ que o mundo não é um problema a se resolver, mas um mistério gozoso que contemplamos na alegria e louvor (LS 12).

Dentre as propostas levantadas pelo Papa Francisco nesta encíclica está o apelo a uma mudança no estilo de produção e consumo atualmente determinados pelo mercado e geradores de necessidades artificiais (LS 26;138; 191), o que João Paulo II chamou de “conversão ecológica” (Catequese do dia 17 de Janeiro de 2001) e que foi assumido nesta encíclica (LS 216-221).

No que tange às instituições, o Pontífice pede um compromisso internacional em torno da questão ambiental, para salvaguardar a vida do Planeta e o direito dos mais pobres. Esperamos que o ensinamento desta encíclica chegue a bom termo, porque a Terra, nossa irmã, não pode mais esperar.

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*Padre Antonio Aparecido Alves é Mestre em Ciências Sociais com especialização em Doutrina Social da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma e Doutor em Teologia pela PUC-Rio. Professor na Faculdade Católica de São José dos Campos e Pároco na Paróquia São Benedito do Alto da Ponte em São José dos Campos (SP). Para conhecer mais sobre Doutrina Social visite o Blog: www.caminhosevidas.com.br

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