Proposta amplia atuação dos EUA em conflitos globais
O presidente americano, Donald Trump, lançou oficialmente o Conselho de Paz durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Sete líderes mundiais assinaram a carta de criação do grupo. 35 países manifestaram intenção de integrar o conselho, visto como uma espécie de ONU paralela. Lula foi convidado, mas não respondeu.
Reportagem de Francisco Coelho e Ersomar Ribeiro
O Conselho de Paz foi apresentado como parte do plano para reconstrução e estabilização da faixa de Gaza. Anunciado em setembro, o órgão ganhou novas definições e pode atuar também em ações internacionais fora do Oriente Médio.
O presidente do conselho será Donald Trump, com mandato vitalício e poder de veto. No lançamento, Trump fez duras críticas à ONU, mas disse que pretende trabalhar em conjunto com a organização. “Teremos muito sucesso em Gaza. Será ótimo acompanhar. E podemos fazer outras coisas. Podemos fazer inúmeras outras coisas e faremos isso em conjunto com as Nações Unidas”, disse o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Sete líderes mundiais participaram do lançamento do plano, entre eles os presidentes da Argentina, Javier Milei, e do Paraguai, Santiago Penha. Outros 35 países manifestaram o desejo de integrar o grupo. Representantes de governos apontados como autoritários, como Hungria e Indonésia, também estiveram presentes em Davos.
Já o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que pode aderir ao conselho e doar 1 bilhão de dólares caso os Estados Unidos desbloqueie ativos russos congelados por causa da guerra na Ucrânia. A comunidade internacional teme que o Conselho de Paz enfraqueça o papel da Organização das Nações Unidas.
O governo brasileiro foi convidado para integrar o Conselho de Paz Americano, mas a ausência de aliados e de grandes potências da Europa pode pesar na decisão de integrar o grupo. Lula ainda não respondeu ao convite feito por Trump. A decisão é considerada crucial. Nos últimos meses, o líder americano tem feito elogios ao presidente brasileiro e uma recusa pode ser mal interpretada pelos Estados Unidos.
O “Brasil tem feito alguns movimentos de aliança e proximidade a países que não são exatamente bem vistos dos Estados Unidos e muito provavelmente do Conselho da Paz.
Então, o Brasil diplomaticamente e comercialmente estaria um tanto exposto nessa relação”, concluiu a especialista em relações exteriores, Simone Mayara Ferreira.




