Mais que um teto

CF: moradia digna favorece desenvolvimento humano, frisa padre

Tema da Campanha da Fraternidade convida à reflexão e ao compromisso com aqueles que vivem sem condições adequadas de habitação

Julia Beck
Da Redação

Comunidade urbana com casas de tijolo aparentes construídas de forma densa em encosta, sob céu azul.

Vista de comunidade urbana com moradias populares em área de encosta, evidenciando adensamento e desigualdade habitacional /Foto: Canva

Garantir uma moradia digna é assegurar mais do que um teto: é promover condições essenciais para o desenvolvimento humano. A afirmação do secretário-executivo de campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Jean Poul Hansen, diz respeito ao tema da Campanha da Fraternidade deste ano, que engloba a realidade da habitação no Brasil — um cenário que ainda desafia a sociedade e interpela a consciência cristã.

Segundo o sacerdote, dados recentes indicam que milhões de brasileiros vivem sem moradia ou em condições inadequadas, enfrentando diariamente a falta de estrutura básica, segurança e estabilidade.

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O que é uma moradia digna?

Sociólogo José Mauricio Cardoso /Foto: Arquivo Pessoal

De acordo com o sociólogo José Mauricio Cardoso, o conceito vai além da teoria e precisa se concretizar na vida das pessoas. Ele explica que, nas ciências sociais, o trabalho é centrado na promoção da dignidade humana. Essa promoção implica não só direitos abstratos, mas também direitos materiais, entre eles o direito à habitação.

Cardoso explica que uma moradia digna envolve não apenas a construção em si, mas também condições básicas. “Essa habitação precisa contemplar um espaço que seja condizente com a necessidade da família, com quartos, sala, cozinha, além de condições como energia elétrica, saneamento básico e elementos externos como mobilidade urbana e iluminação pública”, enfatiza.

Realidades que ferem a dignidade

Nas grandes cidades, muitas pessoas vivem em favelas, áreas de risco ou em situação de rua. Nessas condições, a ausência de infraestrutura impacta diretamente a vida e a autoestima. Segundo o sociólogo, essas populações são vulneráveis. “A falta de saneamento básico e de outras condições faz com que essas pessoas se sintam marginalizadas.”

Ele ressalta ainda que essa realidade gera consequências profundas: o estigma social. Esse estigma, prossegue Cardoso, limita e despotencializa a pessoa, dificultando o acesso à educação, ao trabalho e à participação na sociedade.

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Um olhar à luz da fé

Coordenador nacional de campanhas da CNBB, Padre Jean Poul Hansen / Foto: CNBB

Para a Igreja Católica, a moradia digna está diretamente ligada à dignidade da pessoa humana. Padre Jean Poul aponta que, na Doutrina Social da Igreja, tudo aquilo que é necessário para o desenvolvimento humano integral deve ser protegido, e a moradia é um desses elementos.

O direito à moradia, comenta o sacerdote, é fundamental para a vida em sociedade. “Quem não tem um endereço fixo dificilmente consegue um trabalho, acesso à saúde ou sustentar uma família. Por isso precisamos garantir, em primeiro lugar, o direito à moradia”, indica.

Padre Jean Poul assegura que a falta de habitação adequada revela outras privações: não é apenas um problema grave, mas também sintoma de que muitos outros direitos já foram retirados daquela pessoa.

Um chamado à conversão e à solidariedade

Diante dessa realidade, a Campanha da Fraternidade 2026 convida os fiéis à reflexão e ao compromisso concreto. “Nós precisamos rezar pelas pessoas que não têm moradia, mas também nos informar sobre essa realidade”, afirma o presbítero.

Ele destaca ainda a importância de os católicos terem atitudes concretas, como olhar com misericórdia para os que padecem com a falta de moradia, vencer o preconceito, aproximar-se dessas pessoas e se comprometer na construção de uma sociedade sem excluídos.

Desse modo, padre Jean Poul destaca que a reflexão sobre a moradia digna ultrapassa os números e se torna um convite à vivência do Evangelho, reconhecendo no outro — especialmente no mais vulnerável — a presença de Cristo.

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