Tratamento no início reduz danos e preconceito
Reportagem de Vanessa Anicio e Vitor Ferreira
A história desta paciente, que prefere não se identificar mostra a importância do diagnóstico precoce da hanseníase. Sem as manchas vermelhas, os sintomas surgiram de forma silenciosa e o diagnóstico veio tarde, quando a perda de sensibilidade e de força nas mãos já era perceptível. “Quando eu percebi já estava atrofiado, já tinha feito alguns exames, mas eles não conseguiram ver os exames. Então não sabiam o que era, já era hanseníase”, contou a paciente.
“É uma bactéria que provoca lesões na pele e nos nervos. E ela persiste como problema de saúde pública devido a dois fatores, um grande número de casos diagnosticados anualmente. E é uma doença que tem um potencial incapacitante, quer dizer, pode gerar sequelas se não for diagnosticada precocemente”, explicou o dermatologista e hansenologista do HC- UFMG, Marcelo Grossi.
O Brasil registra em média 20.000 novos casos de hanseníase por ano. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o país é o segundo no mundo em número absoluto de casos.
Em Minas Gerais, foram registrados mais de 1.000 casos da doença em 2025. Apesar dos índices estarem abaixo da média nacional, o diagnóstico tardio ainda é um desafio e reforça a importância da informação e do acesso a serviços de saúde especializados.
“Nós temos hoje antibióticos muito eficazes que tratam e curam essa infecção e por ela ser uma doença que pode afetar os nervos e afeta de fato os nervos, quanto mais rápido for o tratamento, menor o dano que esse nervo vai sofrer”, retomou ele.
Referência há mais de 40 anos no tratamento da Hanseníase, o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais oferece atendimento multidisciplinar do diagnóstico à reabilitação.
Além da dor física, muitos pacientes ainda enfrentam outra ferida, o preconceito. “Demais, porque as pessoas não têm conhecimento, por isso!”, expressou a diagnosticada.
“O que é importante a gente ressaltar sempre é que o diagnóstico precoce evita essas sequelas e a doença hoje é curável”, completou o especialista.




