CURA E TRATAMENTO

Centros de referência atuam para detectar hanseníase logo no início

Tratamento no início reduz danos e preconceito

Janeiro é o mês de conscientização sobre a hanseníase, uma doença que possui tratamento gratuito no Brasil. Em Minas Gerais, centros de referência, como o Hospital das Clínicas da UFMG, reforçam a importância do diagnóstico precoce para evitar complicações.

Reportagem de Vanessa Anicio e Vitor Ferreira

 

A história desta paciente, que prefere não se identificar mostra a importância do diagnóstico precoce da hanseníase. Sem as manchas vermelhas, os sintomas surgiram de forma silenciosa e o diagnóstico veio tarde, quando a perda de sensibilidade e de força nas mãos já era perceptível. “Quando eu percebi já estava atrofiado, já tinha feito alguns exames, mas eles não conseguiram ver os exames. Então não sabiam o que era, já era hanseníase”, contou a paciente.

“É uma bactéria que provoca lesões na pele e nos nervos. E ela persiste como problema de saúde pública devido a dois fatores, um grande número de casos diagnosticados anualmente. E é uma doença que tem um potencial incapacitante, quer dizer, pode gerar sequelas se não for diagnosticada precocemente”, explicou o dermatologista e hansenologista do HC- UFMG, Marcelo Grossi. 

O Brasil registra em média 20.000 novos casos de hanseníase por ano. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o país é o segundo no mundo em número absoluto de casos. 

Em Minas Gerais, foram registrados mais de 1.000 casos da doença em 2025. Apesar dos índices estarem abaixo da média nacional, o diagnóstico tardio ainda é um desafio e reforça a importância da informação e do acesso a serviços de saúde especializados.

“Nós temos hoje antibióticos muito eficazes que tratam e curam essa infecção e por ela ser uma doença que pode afetar os nervos e afeta de fato os nervos, quanto mais rápido for o tratamento, menor o dano que esse nervo vai sofrer”, retomou ele. 

Referência há mais de 40 anos no tratamento da Hanseníase, o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais oferece atendimento multidisciplinar do diagnóstico à reabilitação.

Além da dor física, muitos pacientes ainda enfrentam outra ferida, o preconceito. “Demais, porque as pessoas não têm conhecimento, por isso!”, expressou a diagnosticada.

“O que é importante a gente ressaltar sempre é que o diagnóstico precoce evita essas sequelas e a doença hoje é curável”, completou o especialista.

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