CAVALGADA

Cavaleiros percorrem quilômetros de estrada movidos pela fé

Uma tradição que reúne fé, gratidão e resistência. Um grupo de cavaleiros passou três dias na estrada até chegar ao Santuário da Serra da Piedade, em Caeté, na região metropolitana de Belo Horizonte. A cavalgada, que marca o encerramento do ano para os participantes, reuniu adultos, crianças e muitas histórias de superação.

Reportagem de Vanessa Anicio e Daniel Camargo

Três dias de estrada entre Itabirito e Caeté. Sol forte, longos trechos de terra e paradas rápidas para descanso. Afinal, o percurso também exige bastante dos animais. 

Mesmo com tanta dificuldade, o grupo manteve o ritmo e completou cada etapa da cavalgada até o santuário da Serra da Piedade. “A gente faz mesmo para fechar o ano com chave de ouro e agradecer tudo que passou, e pedir pro próximo ano que seja melhor ainda”, comentou o empresário, Patrick Leonel.

Entre os passos lentos dos cavalos e as preces murmuradas no caminho, a romaria se torna mais que um percurso. É uma experiência de fé compartilhada. “Eu sempre falo, ‘quando se bate um estribo se cela uma amizade’. Quem faz amizade em Deus encontra verdadeiros amigos. Eu vejo, eu renovo minha fé. Para mim é um retiro”, lembrou o missionário da Comunidade Canção Nova, Paulo Sérgio Eleutério.

Entre os cavaleiros, histórias pessoais que dão ainda mais sentido ao trajeto. Ronildo fez a travessia em agradecimento pela cura de um câncer, motivo que o manteve firme durante todo o percurso. “Na quarta-feira que eu terminei o tratamento, falei, eu vou e agradecer a Deus porque graças a Deus, tô curado, como se diz, ‘pede a mãe que ela atende’.Então vou lá agradecer ela hoje. Tem só agradecer e ano que vem, se Deus quiser, estarei de volta”, testemunhou o consultor, Ronildo Bernardo Ferreira. 

“O povo mineiro, ele tem uma expressão da sua religiosidade marcada muito pela sua vivência cotidiana. Tantas expressões que buscam, na verdade, demonstrar o valor que o sagrado tem na vida desse povo e que, como um vaqueiro, isso se expressa no cuidado com os animais, nas suas cavalgadas, nas suas viagens pelas estradas”, apontou o reitor do Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade, padre Wagner Calegário.

Por determinação municipal, devido ao risco de febre maculosa, os cavalos não podem subir até a área mais alta do santuário. Por isso, o grupo encerrou o trajeto aos pés da serra, onde os cavaleiros concluíram a chegada a pé. 

No alto da montanha, na casa da mãe Piedade, onde Minas encontra silêncio e esperança, cada cavaleiro entrega o seu pedido, a sua intenção e, principalmente, seu agradecimento.

“Isso é uma sensação de dever cumprido. Então é assim, é uma coisa inexplicável. Eu nem sei como expressar a felicidade que eu tô com ela”, completou o operador de subestação elétrica, Milton Carlos Anastácio.

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