ACIDENTES

Aumentam neste período os riscos de ingestão de produtos corrosivos

Especialistas alertam sobre importância de preservar o contato de crianças com esses produtos

Reportagem de Vanessa Anício e Vitor Ferreira

Com as crianças fora da escola, cresce o tempo dentro de casa e também o risco de acidentes domésticos. Produtos de limpeza com substâncias cáusticas, se ingeridos, podem provocar lesões graves e exigem atenção extra dos adultos.

Um descuido que mudou completamente a vida de uma família. Aos 3 anos, Kátia ingeriu por acidente soda cáustica e as consequências disso a acompanham até hoje. “Eu tomei só um pouquinho, da dor eu não lembro e eu lembro que minha mãe antes tinha me dado uma banana. Aí eu fui, vomitei aquela banana pretinha e tava saindo muito sangue porque onde ela bate ela corroe. Então ela correu minha língua toda, ela foi, derretendo assim”, lembrou a auxiliar contábil, Kátia Oliveira. 

Casos como o da auxiliar contábil são mais comuns do que se imagina. Segundo esta endoscopista pediátrica, acidentes com produtos cáusticos atingem principalmente crianças pequenas pela curiosidade própria da idade. Outros pontos são a cor e a embalagem do produto. “Muitas vezes essas embalagens são atrativas, coloridas, são semelhantes a produtos alimentícios e com isso aos olhos da criança, isso passa a ser atrativo. E a grande questão também, não possuem lacres de segurança”, explicou a endoscopista pediátrica HC- UFM, Simone Carvalho.

Em contato com as mucosas do trato digestivo, os itens cáusticos provocam inflamações graves e algumas ações podem piorar o quadro. “É, a gente tem o hábito de ingerir leite, água, induzir vômitos. Então isso a gente não deve fazer porque agrava. É importante que a família leve imediatamente ao setor de emergência, de preferência leve o produto, porque a gente tem diferenças inclusive de concentração nos produtos”, completou Simone.

O Hospital das Clínicas da UFMG é referência para a fase crônica desses casos em Minas Gerais e recebe uma média de quatro a oito novas crianças por mês que são encaminhadas para o tratamento das consequências pela ingestão desse tipo de produto. 

“Hoje eu faço dilatações, que são como se fosse uma endoscopia, passa por esse esôfago para tentar dilatar ele, para mim ter uma qualidade de vida melhor, mas a cura em si não tenho, é pro resto da minha vida”, enfatizou Kátia.

Nas férias, com mais tempo dentro de casa, a prevenção é a principal forma de cuidado e pode evitar sequelas que duram a vida inteira. “Melhor nem ter em casa, porque o acidente é uma vez só. Teve e não tem como voltar atrás”, alertou ela.

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