ÚLTIMA COLETIVA

Presidência da CNBB faz balanço da 62ª Assembleia Geral

Após dez dias de trabalho, maior episcopado do mundo reforçou a “tenda do encontro” como modelo para a evangelização no país

Thiago Coutinho
Enviado especial a Aparecida (SP)

A presidência da CNBB na coletiva de imprensa desta sexta-feira, 24 / Foto: Daniel Xavier

A 62ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, organizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), chegou a seu último dia. A presidência da CNBB atendeu à imprensa na manhã desta sexta-feira, 24, nas dependências do Santuário Nacional de Aparecida.

Participaram da coletiva o presidente, Cardeal Jaime Spengler, o 1º vice-presidente, Dom João Justino de Medeiros, o 2º vice-presidente, Dom Paulo Jackson; e secretário-geral, Dom Ricardo Hoepers. 

Os representantes do episcopado brasileiro comentaram as principais decisões tomadas nestes 10 dias, entre elas a aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, que contou com 656 emendas ao texto original e focou na sinodalidade e atualização da missão. Além disso, novos textos litúrgicos, diversas mensagens de apoio ao Papa Leão XIV, além do lançamento do edital da Campanha da Fraternidade 2026.

As diretrizes gerais

Dom Jaime deu início à coletiva e apresentou uma breve síntese do que foram os dez dias de Assembleia. “O tema central da nossa Assembleia foi a elaboração, a construção, a conclusão do texto das diretrizes gerais da ação evangelizadora da Igreja do Brasil”, explicou.

O processo de confecção das diretrizes, nas palavras do próprio cardeal, foi longo: durante três anos, o episcopado brasileiro se debruçou sobre a mesa e discutiu o que viria a ser o documento final. “Essa equipe trabalhou de uma forma extraordinária”, exaltou.

O texto final, para o presidente da CNBB, reverbera de maneira muito próxima a realidade os anseios do Povo de Deus. “Chegamos a um texto que, eu imagino, reflete as necessidades da obra da evangelização hoje no território”, afirmou.

O documento foi dividido em seis partes: na primeira, a igreja compreendida como tenda do encontro; na segunda parte, a escuta dos sinais; a seguir, o discernimento em vista de uma igreja sinodal; na quarta seção, o Povo de Deus em missão; a ecologia integral e, por fim, os compromissos sinodais.

“A tenda acolhe todos”, disse Dom Jaime sobre o primeiro dos seis itens. “A tenda pode ser sempre de novo alargada de acordo com as necessidades”. Mas, para o bispo, é no sexto capítulo que se encontra o cerne desta reunião episcopal. “Por que esse capítulo é importante?”, indagou Dom Jaime. “Porque havia uma decisão por parte, não só da Assembleia, já antes, de que estas diretrizes estivessem em sintonia com as decisões do Sínodo. Expressar, sim, a atuação do sínodo nas nossas realidades locais”, especificou.

Os vindouros congressos

O 1º vice-presidente da CNBB, Dom João Justino, falou sobre os próximos congressos que a Igreja no Brasil realizará. O primeiro deles será o 16º Intereclesial de Comunidades Eclesiais de Base, sediado na Diocese de Cachoeira do Itapemirim, no Espírito Santo, de 20 a 24 de julho. O evento tem como tema “Caminhando com as juventudes na alegria do Evangelho, a serviço do Reino” e lema “Levanta-te, brilha, pois chegou a tua luz” (Is 60,1).

O foco deste encontro será fortalecer a união e a comunicação entre a Igreja e os jovens. Em seguida, Dom Justino falou sobre o 19º Congresso Eucarístico Nacional, sediado Goiânia (GO) de 3 a 7 de setembro de 2027, organizado pela Arquidiocese local com o tema “Hóstias vivas, no mundo, para a glória do Pai”. Há uma expectativa de que o Papa Leão possa participar deste congresso, inclusive.

“Tivemos a oportunidade de apresentar com mais detalhes [este congresso] nas coletivas. A CNBB entregou o convite ao Santo Padre mas não houve nenhuma confirmação [de que ele virá]”, disse o 1º vice-presidente da CNBB. “Oxalá que isto aconteça, é um grande desejo nosso, de que ele esteja aqui conosco”, reiterou.

Por fim, Dom Justino falou sobre o 7º Congresso Americano Missionário (CAM 7), marcado para novembro de 2029, em Curitiba (PR). “A Assembleia acabou de dar dois passos muito importantes. Votou-se pela animação de um ano missionário nacional. Será aberto na festa de Cristo Rei de 2028, envolvendo todo o país na realização deste congresso em Curitiba”, reforçou.

As mensagens da Assembleia

Dom Paulo Jackson, 2º vice-presidente da CNBB, apresentou as quatro mensagens compostas pelo episcopado durante os dez dias de Assembleia. A primeira foi destinada ao Santo Padre; a segunda ao Prefeito do Dicastério para os Bispos, Dom Filippo Iannone; a terceira ao povo católico e, por fim, a quarta ao povo brasileiro em geral.

“Foram dias de oração, de comunhão e de partilha. Um agradecimento a Dom Iannone pelo serviço prestado à Igreja, ao Papa e aos bispos do mundo todo. Um agradecimento especialmente pelas nomeações dos bispos brasileiros e por oferecer sentimentos de comunhão, partilha e solidariedade”, enalteceu Dom Paulo.

A carta ao povo brasileiro trata de temas recorrentes, como fome, desigualdade social e política. “Tratamos das problemáticas sociais, pedimos ética na política e que se deve buscar com critérios éticos objetivos, votar em pessoas que de fato possam melhorar o nível ético do nosso país e se comprometam com a justiça e a paz”, disse.

O maior episcopado do mundo

O último a conversar com os jornalistas foi o secretário-geral, Dom Ricardo Hoepers. Segundo o bispo, foram em média 12 horas de trabalho diário para que a Assembleia chegasse a um consenso sobre os principais temas que permeiam a Igreja no Brasil.

“São 400 bispos presentes, 12 horas de trabalho por dia. Pensar a logística da chegada de todos os bispos até a Aparecida, da saída deles ao retorno para suas casas. Pensar ser trabalhados em cada dia com os encaminhamentos necessários. Então, é um grande desafio e nós somos o maior episcopado do mundo, o que nos dá uma grande responsabilidade nesse momento em que todos os bispos estão reunidos para grandes definições”, afirmou.

Dom Ricardo falou sobre o uso da tecnologia nesta edição, que facilitou e agilizou as decisões apresentadas pelos bispo. “Praticamente em todas as votações utilizamos dispositivos que agilizaram nossos trabalhos”, informou.

Além disso, a Igreja brasileira se prepara para criar uma plataforma em que serão arregimentados dados importantes para a continuidade de seus trabalhos no país. “Informações que serão fidedignas a partir da realidade das dioceses”, esclareceu.

O secretário-geral da CNBB falou ainda sobre a carta enviada pelo Papa Leão XIV, que surpreendeu o episcopado e reafirmou a importância que o corpo religioso brasileiro tem para o Pontífice. “Normalmente nós que enviamos a carta, mas fomos surpreendidos com uma bela carta do Santo Padre, abrindo então a Assembleia com este apoio e esta unidade com a Igreja em todo o mundo. Com isso, estamos encerrando a 62ª Assembleia e já começamos a preparar a próxima”, finalizou.

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