Em encontro com educadores e estudantes, Leão XIV destacou o papel da educação na promoção da paz, na defesa da dignidade humana e no uso responsável da tecnologia
Julia Beck
Da Redação

Papa Leão XIV durante encontro com representantes do mundo da educação na Universidade Católica do Uruguai, em Montevidéu, neste sábado, 7 /Foto: REUTERS/Yara Nardi
O Papa Leão XIV encontrou-se com representantes do mundo da educação na Universidade Católica do Uruguai, em Montevidéu, neste sábado, 7. Em seu discurso, o Pontífice destacou a importância de uma formação que contemple a pessoa em sua totalidade, promova a paz e responda aos desafios contemporâneos, especialmente diante do avanço das novas tecnologias e da inteligência artificial (IA).
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O encontro reuniu professores, estudantes e representantes de instituições educativas do país, além de autoridades civis e religiosas. Entre os presentes estavam o arcebispo de Montevidéu, Cardeal Daniel Sturla, e o reitor da universidade, padre Julio Fernández Techera.
Ao recordar a visita de São João Paulo II à instituição, há mais de 38 anos, Leão XIV agradeceu o trabalho desenvolvido pelas comunidades educativas católicas do Uruguai. Segundo ele, essa missão contribui não apenas para a transmissão do conhecimento, mas também para o anúncio do Evangelho e a promoção da dignidade humana.
O Santo Padre conduziu sua reflexão a partir dos cinco sentidos humanos — visão, tato, paladar, olfato e audição —, relacionando cada um deles à missão educativa e à necessidade de uma formação integral.
Educação para a contemplação e a paz
Ao abordar a visão, o Papa destacou a importância da contemplação em uma sociedade na qual a atenção se torna cada vez mais difícil. Segundo ele, educar também significa proporcionar às crianças e aos jovens oportunidades de silêncio, discernimento e encontro com Deus. “Contemplar é evangelizar nesse processo cognitivo cada vez mais difícil: a atenção”, afirmou, pedindo que a contemplação ocupe um lugar privilegiado no trabalho educativo.
Em seguida, ao refletir sobre o tato, Leão XIV chamou a atenção para a responsabilidade humana na construção da paz. O Pontífice lamentou que as mesmas mãos capazes de trabalhar, produzir frutos e acolher o próximo também sejam utilizadas para promover a guerra.
Nesse contexto, ressaltou que a educação católica deve ajudar os estudantes a reconhecer o valor dos gestos de acolhimento e fraternidade. “Quem se sente abraçado pelo Pai é, inevitavelmente, um construtor da paz”, sublinhou.
Inteligência artificial e dignidade humana
Um dos pontos centrais do discurso foi o uso das novas tecnologias. Ao relacionar o paladar à sabedoria, o Papa advertiu que o acúmulo de informações não significa, necessariamente, a aquisição de conhecimento verdadeiro. “Não pode ser considerado sábio aquele que reúne informação sem discernir, refletir ou conhecer o contexto”, observou.
Diante dessa realidade, Leão XIV defendeu uma educação capaz de orientar o desenvolvimento tecnológico a partir de valores humanos. “É urgente, portanto, que a nossa educação escolar e universitária contribua para o uso sábio das tecnologias e da IA, colocando a pessoa antes do algoritmo e harmonizando as inteligências técnica, emotiva, social, espiritual e ecológica”, declarou.
O Pontífice também alertou para o processo de desumanização presente na sociedade contemporânea, marcado pela exclusão e pela tendência de avaliar as pessoas segundo critérios de eficiência e produtividade.
Ao refletir sobre o olfato, utilizou a imagem do perfume derramado sobre Jesus em Betânia para defender o reconhecimento do valor de cada ser humano. “Precisamos de proclamar novamente que a vida humana é respeitada em todas as suas fases e estados. Ninguém pode ser rejeitado”, enfatizou.
Uma educação aberta à escuta e ao diálogo
Na última parte de sua reflexão, dedicada à audição, Leão XIV destacou a necessidade de formar pessoas capazes de escutar, discernir e reconhecer o outro como um bem.
Segundo o Papa, a educação católica não deve permanecer isolada da realidade social, mas estabelecer diálogo com as famílias, as autoridades, a sociedade civil e os diferentes setores profissionais. “A nossa educação católica não pode estar confinada a um circuito fechado”, ressaltou.
O Santo Padre também valorizou a participação dos jovens em iniciativas de voluntariado, missões e projetos comunitários, experiências que favorecem a escuta e o compromisso com o próximo.
Ao concluir, incentivou os educadores a perseverarem em sua missão, sem perder de vista a formação integral da pessoa humana. “Não nos é permitido parar. Continuemos a caminhar n’Aquele que se fez Caminho, Verdade e Vida”, exortou.
Presente à universidade e bênção final
Após o discurso, Leão XIV presenteou o reitor da Universidade Católica do Uruguai com um afresco de Nossa Senhora com o Menino Jesus ao colo, além de documentos pontifícios.
O encontro foi concluído com a oração do Pai-Nosso e a bênção final do Santo Padre, que também assinou o livro de honra da instituição. Na sequência da programação deste sábado, o Pontífice seguirá para seu último compromisso do dia: uma vigília de oração no Estádio Centenário, em Montevidéu.




